Já havia conferido a adaptação cinematográfica de Querido John antes de ler este livro e, apesar de achar o filme mais eficiente do que a obra literária, principalmente pela condensação dos eventos e clima oferecido – talvez devido a temática do mesmo apresentar-se cinematográfica desde sua concepção impressa -, este me trouxe algumas boas surpresas. E, o termo surpresa é aplicado pois, apesar da trama ter como cerne o relacionamento amoroso entre as personagens John e Savannah, o que realmente me chamou a atenção, tanto no quesito de empatia e emoção, quanto pela sensibilidade narrativa aplicada pelo autor do romance best-seller, Nicholas Sparks (autor de outros sucessos como Diário de uma Paixão e Um Amor para Recordar, também adaptados ao cinema), foi o delicado relacionamento entre John e seu “estranho” pai, principalmente durante o período de afastamento do primeiro, que, como militar alistado, passava mais tempo servindo ao Exército no Iraque e Alemanha, por exemplo, do que ao lado do pai e, consequentemente, de sua amada, Savannah (o enredo se passa entre as inserções bélicas no Afeganistão e Iraque, ou seja, entre 2000 e 2006).
O romance chave entre John e Savannah é bonito, contudo devido ao excesso de sacarose e bondade aplicado por Sparks em alguns momentos, o mesmo pode soar enfadonho para certo tipo de leitor, em especial do sexo masculino, pois é mais do que clara pela escrita do autor que seu público de interesse realmente é o sexo oposto. Enfim, Querido John reúne com delicadeza e competência a clássica história de amor com elementos de “proibido” e “separação” com um belíssimo recorte de um relacionamento entre pai e filho, onde acompanhamos a descoberta de ambos como muito mais do que aquilo que um enxerga ao outro. Justamente este aspecto me despertou mais a atenção do que o romance em si, ao contrário do filme, em que a relação entre pai e filho é abordado, mas perde o impacto exercido na versão original. Sendo assim, recomendo tanto o livro quanto o filme, por que é certo que em cada uma dessas mídias o leitor/espectador absorverá referências distintas que soarão complementares ao final da experiência. Obviamente que nenhuma das obras são imperdíveis, mas têm seu valor e são competentes em suas finalidades: apresentar uma simples e bela história (histórias, para alguns) de amor.
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Observação: Decidi não publicar a capa da edição brasileira no topo da postagem pois não concordo com a utilização da imagem do filme na edição literária, dentre outros motivos, pelo fato de que a caracterização física dos personagens são distintas nas duas versões, portanto soa estranho, por exemplo, visualizar a imagem de Savannah como uma garota loura de olhos claros na capa do livro (que na verdade é a imagem da atriz do filme) e ao ler o romance ser informado que na verdade a garota tem os cabelos negros e olhos escuros. No meu ponto de vista, uma confusão só. Em resumo, não são contra a livre adaptação cinematográfica, mas sim a decisão editorial de utilizar a imagem de versão em película no romance sem nem mesmo atentar a esse detalhe importantíssimo.
:: Links ::
- Ficha do IMDb: Nicholas Sparks
- Comentário do filme Querido John
- Comentário do filme Diário de uma Paixão

