Camelot – 1ª Temporada (2011)

Publicado: junho 16, 2011 em Séries, TV
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Quando foi anunciada a produção do seriado baseado na lenda do Rei Artur fiquei bastante intrigado. Qual seria a abordagem, já que são diversas as encarnações deste mito, inclusive já realizadas nas mais diversas mídias. O canal responsável pela veiculação desta série seria o Starz, conhecido hoje por ser produtora do sucesso Spartacus. Contudo, isto não era suficiente para que meu interesse por este vindouro produto crescesse (não assisti a nenhum episódio das séries Spartacus, contudo do que pude conferir em imagens e trechos delas, não me senti atraído pelo visual – muito influenciado pelo filme 300, de 2007.

Pouco tempo depois fiquei sabendo que os responsáveis pelo conceito / criação da série Camelot seriam Michael Hirst
e Chris Chibnall, sendo o primeiro um dos responsáveis pela conceituada série The Tudors, do canal Showtime. Minha expectativa aumentou ainda mais quando foram divulgados os principais nomes do elenco, que continha Joseph Fiennes (de Sheakespeare Apaixonado), como o mago Merlin, Eva Green (de Cruzada) como a irmã de Artur, Morgane Pendragon e Claire Forlani (de Encontro Marcado), que nunca fez nada de muito destaque no cinema, mas continua linda, como Lady Igraine. O nome escolhido pra viver o personagem principal, Artur Pendragon, foi o de Jamie Campbell Bower, ator relativamente desconhecido.

Camelot teve a exibição de seu episódio piloto no final do mês de fevereiro, logo após o encerramento do último episódio da minissérie Spartacus – Gods of the Arena, retornando cerca de um mês depois, já em abril. Foi a partir desse mês que comecei a acompanhar Camelot, e confesso que me decepcionei bastante. Me expectativa estava muito alta. A série Game of Thrones estava para estrear (esta sim excelente em todos os aspectos) e depositava muita esperança na qualidade de ambas. Os primeiros quatro episódios de Camelot não são ruins em sua totalidade, mas não envolvem o espectador de maneira a se importar com aqueles personagens e a querer acompanhar o desamarrar da trama. Trama essa que, por sinal, toma diversas liberdades poéticas (nada contra) com relação as diversas versões do mito de Artur, parecendo uma verdadeira colcha de retalhos, uma espécie de cruzamento entre As Brumas de Avalon e os filmes Excalibur e Rei Arthur.

Outro ponto negativo reside no aspecto visual dos personagens do seriado. Apesar de ser ambientada na Idade Média e mostrar que a então Bretanha não vivia seus melhores dias, a maioria dos personagens aparecem exageradamente limpos (não estou dizendo que os mesmos deveriam ser sujos, mas a insipidez destes é tão exagerada que parece que estes não vivem naquele período mostrado) e, para piorar, o corte (isso mesmo) de cabelo de alguns personagens (principalmente o personagem Leontes, interpretado por Philip Winchester) está ridiculamente moderno, como se tivessem transferido Justin Bieber para a alta Idade Média. Apesar de serem detalhes, isso atrapalha o espectador mais atento e exigente, que conseqüentemente não consegue imergir totalmente no mundo apresentado pela série, ainda mais quando a dinâmica dela não se mostra tão atraente quanto aparentava.

Apesar de algumas decisões poéticas não funcionarem a contento (como a origem da espada Excalibur, por exemplo, que beira ao ridículo em toda a sua concepção), Camelot revela-se melhor após a metade de sua primeira temporada (composta por 10 episódios), tornando-se mais dinâmica, interessante e deixando de abordar tanto o lado dos romances entre personagens – talvez uma herança dos criadores, já que os mesmos conceberam a série The Tudors, como grifado acima –, e apostando mais na desconstrução/construção do mito de Artur e seus “cavaleiros”, ou seja, de Camelot como um todo.

Ganhando em interesse, eis que nesta última sexta-feira foi exibido o último episódio desta temporada. E, como que refletindo o que aconteceu em todo o seriado até então, a “season finale” apresenta momentos de altos e baixos, finalizando o momento “Rambo/Predador” de Artur, que enfrenta um pequeno exército sozinho, apenas com o auxílio de “armadilhas” elaborados por ele, a descoberta da traição (que era tão óbvia desde o início que é quase impossível conceber a confiança que Artur ainda sentia por sua irmã) de Morgane, além do final “apoteótico”, que como não poderia deixar de ser, finaliza a trama de forma até que satisfatória, mas deixa em seus minutos finais um gancho para a temporada seguinte (que ainda não foi confirmada). Sendo assim, caso não haja uma continuação para o projeto, basta eliminar tais cenas que tudo se fecha com certa naturalidade.

Por fim, Camelot não é um produto ruim, mas está muito longe das melhores adaptações do mito de Artur, seja para o teatro, cinema ou televisão. Realmente melhora depois da metade do pacote total, mas não o suficiente para ser realmente interessante de se assistir. Caso a mesma ganhe uma próxima temporada irei acompanhar os primeiros episódios para comprovar se a série realmente está melhorando com o tempo, ou se foi apenas um lapso. Caso não haja um “upgrade” na mesma, com certeza não irei mais me dedicar a acompanhá-la (prefiro acompanhar religiosamente Game of Thrones e a também excelente The Killing, que por sinal encerra a primeira temporada no próximo domingo, nos Estados Unidos). Já se a série for cancelada, infelizmente não fará falta na programação. Pelo menos para mim. Se fosse para classificar a série, diria que passa, mas no limite, na média, um 6 e olhe lá. Muito pouco para um produto baseado num cenário tão rico como é o do universo do Rei Artur.

:: Trailer da Série ::

 

:: Links ::

Site oficial: http://www.starz.com/originals/Camelot

Fichas do IMDB:

Chris Chibnall (produtor e roteirista)

Michael Hirst (produtor e roteirista)

Joseph Fiennes

Jamie Campbell Bower

Eva Green

Claire Forlani

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