Capitão América: A Escolha

Publicado: agosto 13, 2011 em Literatura, Quadrinhos
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Parte da iniciativa Marvel Knights, selo criado pela editora de quadrinhos norte-americana Marvel Comics visando contar histórias fechadas e, de certa forma, mais aprofundadas de diversos ícones de seu universo de super-heróis,  sempre contando com roteiristas e ilustradores de peso, Capitão América: A Escolha (Captain America: The Chosen) é uma história originalmente publicada em seis partes que tem como mote a fatídica morte do herói (o mesmo está com uma doença degenerativa) e sua busca por um “substituto” que literalmente carregue sua bandeira e, com isso, seu legado de honra, justiça, honestidade, coragem e esperança.

É claro que a história escrita pelo autor do romance First Blood (que inspirou o filme Rambo – Programado para Matar), David Morrel e belamente ilustrada por Mitch Breitweiser, traz mais do que isso em suas pouco mais de 130 páginas, contudo, como seria de esperar de um personagem tão complexo quanto o Capitão e do “passado” do autor (criou John Rambo. Preciso dizer algo a mais?) a história às vezes exagera no patriotismo barato, principalmente quando não consegue universalizar o tema (alguns grandes escritores conseguiram fazer isso quando escreveram histórias do personagem) e descarrega sem piedade o poder e o lugar do norte-americano como bússola da sociedade, da moral e da vida. É certo que esses são momentos pontuais, mas que não deixam de incomodar quando surgem.

Contudo, o aspecto mais negativo da trama (muito bem contada, por sinal) se dá logo na primeira parte da mesma, quando somos posicionados no conflito Iraque x EUA e nos é vendido (mérito não apenas desse quadrinho, que fique bem claro) todo o pensamento alienado do que, quem e como é um terrorista, não faltando é claro a figura do até então (a HQ começou a ser lançada no final de 2009 e foi concluída em 2010) inencontrável Osama Bin Laden.Em resumo, no conflito armado no Iraque, o exército da salvação e da justiça (EUA) se vê constantemente num ambiente de medo e frustração, contudo o mesmo não é dito do povo iraquiano que tem, por bem ou por mal, sua terra invadida, além de generalizar de forma muito rasteira quem é e quem não é terrorista.

Falando em medo, este sim é um conceito muito interessante abordado por Capitão América: A Escolha, já que o personagem título afirma diversas vezes ao seu suposto substituto (um soldado em serviço no Iraque) que foi  justamente este sentimento que o fez um homem melhor, já que foi através das sucessivas batalhas (mentais) para enfrentar seus medos que o mesmo cresceu, transformando escolhas carregadas de medo em atos de coragem e bravura, tendo assim Morrel um excelente ponto de vista a mostrar ao leitor sobre o quanto podemos alcançar quando sobrepujamos nossos medos.

Enfim, Capitão América: A Escolha tem momentos de altos e baixos, contudo com o andamento da história os primeiros se sobrepõem aos demais, ficando assim no cerne do leitor a certeza de que idependentemente de bandeira, credo, partido ou filosofia de vida, os sentimentos básicos como liberdade e esperança são universais e, através de uma reflexão discreta, Morrel e Breitweiser nos contam uma história batida, contudo sempre eficiente, de que apenas nós mesmos podemos nos tornar-mos homens e mulheres melhores, ou seja, seres-humanos plenos, em conceito, grau e gênero.

*

Capitão América: A Escolha foi lançado no Brasil pela editora Panini, numa caprichada edição em capa dura que reúne as seis partes da minissérie publicada entre os meses de novembro de 2009 e fevereiro de 2010, nos Estados Unidos. O preço cobrado pela obra é bastante justo, principalmente pela alta qualidade de sua formatação por aqui. Recomendado para fãs de histórias em quadrinhos, colecionadores ou não.

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comentários
  1. […] Compilação de histórias que revisitam a origem de alguns dos mais clássicos personagens do universo Marvel Comics, Mitos Marvel é, de certa forma, um fechamento digno para os demais encadernados de luxo lançados pela Panini Comics sob o selo Marvel Knights. Na verdade, tecnicamente este não tem nada a ver com o outro – até mesmo por que muitos personagens se repetem, à exemplo de Capitão América e Homem-Aranha, por exemplo -, contudo, como ambas as obras possuem acabamento similar, vale a pena incluir Mitos Marvel ao lado das demais publicações Namor: As Profundezas, Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… e Capitão América: A Escolha. […]

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