Duelo: Exorcista: O Início [2004] x Dominion: Prequel to the Exorcist [2005]

Publicado: outubro 25, 2011 em Cinema, Duelo
Tags:, , , , , , , , , , ,

:: Impressões ::

Talvez o(s) filme(s) mais conturbado(s) de todos os tempos, o prelúdio do clássico Exorcista, de 1973, consegui render dois filmes quase que completamente distintos. Paul Schrader (roteirista dos clássicos Taxi Driver e Touro Indomável, diretor de Gigolô Americano) foi contratado para dirigir o filme que teria como pano de fundo abordar a juventude do personagem Merrin, padre exorcista do filme de 1973 e o mesmo o fez. Contudo, após o filme estar quase pronto, o produtor James G. Robinson decidiu contratar outro diretor para dar mais movimento ao então considerado “artístico” e lento demais longa de Schrader. O escolhido para a missão de refilmar (através de um roteiro distinto do filmado por Schrader) foi o filandês Renny Harlin (Duro de Matar 2, O Especialista), que entregou o filme que acabou sendo lançado nos cinemas como Exorcista: O Início. No entanto, esta versão foi um grande fracasso de crítica  e público, “obrigando” assim os produtores a trazerem de volta Schrader para que o mesmo pudesse finalizar sua versão do filme e lançá-la diretamente para o mercado de home-video  (na verdade o mesmo foi lançado em circuito restrito nos cinemas). O filme de Schrader foi lançado um ano após Exorcista: O Início, com o título de Dominion: Prequel to the Exorcist (Domínio: Pré-Sequencia de O Exorcista), mas mesmo contando com um cineasta com experiência no comando, não conseguiu mudar consideravelmente a má imagem causada pela versão de Harlin lançada nos cinemas. Em resumo, é fato que ambos os filmes são fracos e que não têm razão de existir. Literalmente foram feitos dois filmes distintos, com histórias diferentes, incluindo personagens que não aparecem em ambas as versões, não sendo apenas uma questão de dinâmica e ritmo, mas sim de descrença com relação ao trabalho de Paul Schrader como realizador e de confiança para com a visão de Renny Harlin. Resultado?

… O Início? Início do que?

A versão de Renny Harlin é um pastiche. Uma mistura de gêneros o formata, já que o mesmo até sua meia hora final é absolutamente gratuito no que tange a violência e ao despejo de sangue, além do abusivo uso de efeitos visuais (por sinal, hoje já bastante datados), lembrando as produções genéricas de horror do começo da década de 200, que abusavam do susto fácil e da sanguinolência para conquistar o público jovem, além da falta de escopo e sentido, em termos de conteúdo, do roteiro – que por sinal foi escrito a toque de caixa, visto que o mesmo não estaria pronto durante a filmagem da versão anterior. Enquanto isso, no ato final do filme, Harlin toma emprestado o clima gore do Exorcista de 1973 e, numa pobre tentativa, procura emular a menina possuída do filme de William Friedkin, tendo apenas o trabalho de substituí-la por uma médica loura. As soluções encontradas pelos envolvidos nesta versão “salvadora” são tão medíocres que simplesmente não vale a pena discutir tais deméritos. Exorcista: O Início é um filme ruim e apelativo, que não possui uma boa estrutura narrativa, apoiando-se basicamente no visual, que hoje aparece datado, tendo assim o filme, que já não era grande coisa, perdendo seu ponto principal.  Esquecível e pretencioso.

Quanto à versão “maldita” de Paul Schrader

Pois então, a ideia original que acabou sendo lançada como Dominion também não resultou num bom filme. Apesar das boas intenções e da estrutura dramática/narrativa mais amarrada e, por que não, bem elaborada, o longa não consegue convencer principalmente devido à falta de coesão de algumas das ideias apresentadas, principalmente por que alguns aspectos mostrados no filme simplesmente não fazem sentido. Se na versão lançada nos cinemas a história era o de menos – tanto que os 10 primeiros minutos contam, de forma simplificadíssima, o que Dominion leva cerca de uma hora para sugerir -, na versão de Schrader é o que sustenta o interesse do espectador, por que no que se refere a sustos e grafismos o mesmo fica devendo, principalmente por que o diretor optou pelo resgate ao objetivo maior do filme original, que era a aposta na sugestão, no foco na descoberta do desconhecido, entretanto faltou ao mesmo um maior cuidado e a criação de um clima mais interessante, visto que muitas vezes parece que o filme não vai levar o espectador a lugar algum. Outro ponto falho está no aspecto visual, talvez devido ao corte brusco durante a pós-produção do filme – período onde geralmente são inseridos os efeitos visuais etc. -, não são poucas as cenas em que, devido a precariedade dos efeitos (sejam estes digitais ou de maquiagem), as cenas acabam perdendo impacto e mudando completamente sua função, como quando por exemplo deveriam assustar, acabam provocando estado de riso ou simplesmente não inserem o espectador no universo apresentado.

Realmente é uma pena que, mesmo com duas versões quase que totalmente distintas, nenhuma consiga se sagrar como um bom filme em todos os aspectos e, muito menos a junção de ambos consegue alçá-lo a tal categoria. É certo que Dominion: Prequel to the Exorcist acaba sendo um filme melhor do que Exorcista: O Início, mas mesmo assim não ao ponto de corroborar a existência de tal projeto. Exorcista: O Início é um filme fraco e negativamente clichê, enquanto Dominion é um filme bem intencionado, mas que mesmo assim não precisaria existir.

*

A título de curiosidade, quase todo o elenco dos dois filmes continuou o mesmo, sendo apenas substituídos os personagens que não aparecem em ambas as tramas e alguns que se repetem, mas que devido a problemas de calendário (na certa por estarem comprometidos com outras produções), não puderam retornar as filmagens. De certa forma, fizeram bem.

:: Informações ::

[Exorcista: O Início, Exorcist The Beginning (2004). Direção: Renny Harlin. Roteiro: William Wisher Jr., Caleb Carr e Alexi Hawley, baseado nos personagens criados por William Peter Blatty. Produção: James G. Robinson. Música: Trevor Rabin. Gênero: Terror.]

Elenco: Stellan Skarsgård, Izabella Scorupco, James D’Arcy, Nick Komornicki, Andrew French, David Bradley e Ben Cross.

:: Sinopse ::

Cairo, Egito, 1949. O arqueólogo Lankester Merrin (Stellan Skarsgard), um ex-padre (pois perdeu a fé quando ainda era sacerdote durante a 2ª Guerra Mundial e teve de escolher 10 pessoas para serem executadas, senão todos seriam mortos, e estas lembranças o atormentam sempre), recebe de Semelier (Ben Cross), um colecionador de antigüidades, a missão de ir a uma escavação promovida pelo governo inglês na região de Turkana, Quênia, e recuperar um objeto que estaria sot junto a uma igreja cristã bizantina do século V. O local estava sendo escavado pelo questionamento do que uma igreja faria num lugar onde ainda não chegara o cristianismo. Chegando ao local Merrin é recebido por Francis (James D’Arcy), um padre, e Chuma (Andrew French), um nativo, e é apresentado a outros que também participam da escavação, como Jeffries (Alan Ford), que possui o rosto desfigurado mas almeja sem êxito amor de Sarah Novak (Izabella Scorupco), uma médica que cuida dos nativos. Merrin constata que a igreja está inexplicavelmente intacta, como se tivesse sido soterrada no dia em que foi concluída. Pela cúpula Merrin e Francis entram na igreja, se deparando com esculturas de soldados com as armas voltadas para baixo e um crucifixo com o Cristo também com a cabeça para baixo, o que é uma profanação. Durante a escavação fatos mórbidos surpreendentemente acontecem, como a dilaceração por hienas de James (James Bellamy), o filho de um nativo. Entretanto Joseph (Remy Sweeney), o irmão mais novo, saiu ileso, pois as hienas agiraram como se ele nem estivesse ali. Merrin fica sabendo que os nativos crêem que aquele lugar é amaldiçoado e pergunta a Sarah informações maiores sobre o que estava acontecendo. Ela diz que o chefe da escavação, Bession (Patrick O’Kane), enlouquecera e estava num sanatório em Nairobi. Merrin acha na tenda abandonada por Bession vários desenhos do que ele vira durante a escavação na igreja. Em Nairobi Merrin encontra Bession no hospício, porém este se mata na sua frente e diz “Deus não está mais aqui, padre”, a mesma frase que ele já ouvira de um oficial nazista quando foi obrigado a fazer uma terrível escolha. Conversando com o padre Gionetti (David Bradley), o diretor do sanatório, Merrin descobre que onde a igreja fora erguida havia um templo de sacrifícios humanos e que houvera, há 1500 anos atrás, um massacre liderado por um padre, em que uma série de possessões aconteceram e diversos exorcistas tentaram suprimir o mal, mas este ainda permanecia no local. Gionetti pede a Merrin para fazer um exorcismo, mas ele nega dizendo não ser mais padre. Mesmo assim ele lhe dá um livro de exorcismo, sendo que Merrin não imaginaria como este presente lhe seria útil.

:: Trailer ::

Sem Legendas.

[Dominion: Prequel to the Exorcist (2005). Direção: Paul Schrader. Roteiro: William Wisher Jr. e Caleb Carr, baseado nos personagens criados por William Peter Blatty. Produção: James G. Robinson. Música: Angelo Badalamenti, Dog Fashion Disco e Trevor Rabin. Gênero: Terror.]

Elenco: Stellan Skarsgård, Gabriel Mann, Clara Bellar, Billy Crawford, Ralph Brown e Andrew French.

:: Sinopse ::

Merrin (Stellan Skarsgård), afastado da religião, está encarregado de escavar uma igreja cristã do século V. O jovem padre Francis (Gabriel Mann) supervisiona o trabalho, a pedido do Vaticano. O motivo é que a construção antiga, em tese, não poderia existir, já que os cristãos ainda não haviam chegado àquele ponto remoto da África, no período de origem da construção. Quando entra no local, Merrin descobre coisas ainda mais estranhas. A perfeita conservação do lugar dá a impressão de que a igreja teria sido enterrada logo após a construção, algo que lhe parece incompreensível. Além disso, as pinturas nas paredes descrevem cenas de uma violência indescritível, e as estátuas parecem adorar algo que está sob o chão, quando ídolos cristãos normais devem ficar voltados para o céu.

:: Trailer ::

Sem Legendas.

:: Links ::

– Sinopses e Fichas TécnicasExorcista: O Início (Adoro Cinema) / Dominion: Prequel to the Exorcist (Filmow)

Histórico nas Bilheterias (Box Office Mojo):

* Exorcista: O Início (2004)

* Dominion: Prequel to the Exorcist(2005)]

Fichas do IMDb:

* Paul Schrader (diretor)

* Renny Harlin (diretor)

James G. Robinson (produtor)

Stellan Skarsgård

* Izabella Scorupco

* James D’Arcy

* Ralph Brown

* Ben Cross

Gabriel Mann

 

 

 

 

Anúncios
comentários
  1. Ricco disse:

    Eu ainda prefiro “Exorcista, O Início” a “Domínio”.

  2. Ângela disse:

    Dominion é um filme mais consistente e embora concorde com a questão dos precaríssimos efeitos especiais, que em certa medida prejudicam o filme, há como contraponto, a intensidade da relação entre Merrin (marcado demais pelo que viu e viveu) e padre Francis (jovem, doce e determinado em sua fé). Penso que se algo destaca Dominion de seu antecessor é a grande interação entre esses dois atores. Francis admira o trabalho de Merrin e se tornou o que é hoje inspirado nele e Merrin volta à sua origem devido à firmeza de Francis em suas convicções.

  3. sem, chance!!!!!!!!!!!! origens é 10x melhor q dominio….Dominio é uma versao fraca, preguiçosa e rasa de A origem… nao tem suspense, nao tem profundidade, nem parece um filme de terror…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s