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:: Sinopse ::
Em 1757, franceses e ingleses lutam pelas terras da América do Norte utilizando como soldados índios nativos. Hawkeye (Daniel Day-Lewis) é um dos índios envolvidos na guerra, que se torna alvo do amor de Cora (Madeleine Stowe), filha de um oficial britânico, após salvá-la com mais uma jovem de um ataque da tribo dos franceses. (Fonte: CinePlayers).
:: Impressões ::
Espetáculo visual comandado por Michael Mann (Miami Vice), O Último dos Moicanos é um raro épico que não privilegia cenas e sequências épicas, mas sim a ambientação de época e o conflito vigente, com a finalidade não apenas de impactar o espectador, mas principalmente de transportar o mesmo para um período distinto de sua vivência. Ambientado no século XVIII, durante a guerra entre França e Inglaterra por territórios nos Estados Unidos, o longa-metragem dirigido e co-roteirizado por Mann (em parceria com Christopher Crowe) é possuidor de um poder imagético fabuloso, seja pelo destaque à natureza, seja pela direção de arte e pelos bem acabados figurinos, não importa qual seja o foco da avaliação, a parte visual do filme é deslumbrante e com um toque realista.
Estrelado pelo brilhante ator irlandês Daniel Day-Lewis (Meu Pé Esquerdo), no talvez único papel de sua carreira em que sua interpretação tenha sido mais sobre o aspecto físico do que pela fala, entonação e gestos e pela bela Madeleine Stowe (Os 12 Macacos), O Último dos Moicanos é dono de uma trama até certo ponto simples e objetiva, tratando não só do conflito entre França e Inglaterra e sua óbvia repercussão perante as tribos indígeno-americanas, mas também das motivações pessoas do branco criado como índio (Day-Lewis), da mulher branca a frente de seu tempo (Stowe) e de um nativo em busca de vingança (Wes Studi, de Dança com Lobos). Sendo assim, apesar do viés macro, o grande achado do filme é abordar aspectos humanos, de honra à vingança, numa escala de cinza, onde enxergamos heróis e vilões, porém ambos apresentam motivações suficientes para justificarem seus atos e status quo.
Além disso, apesar de não ser o foco principal, O Último dos Moicanos apresenta um dos mais belos momentos de romance do cinema na década de 1990, não tanto pela origem do sentimento entre os personagens de Day-Lewis e Stowe – que se dá de forma rápida, porém crível -, mas sim pelas cenas elaboradas que exploram a relação de ambos, quase sempre apoiadas por um belo trabalho do diretor de fotografia Dante Spinotti (Inimigos Públicos) e do belíssimo tema composto pela dupla Trevor Jones (Em Nome do Pai) e Randy Edelman (O Máscara).
Feito para o público adulto e principalmente para aqueles que preferem filmes mais pé no chão, sem floreios ou concessões cômicas, O Último dos Moicanos foi o primeiro grande filme de Michael Mann,mais um excelente trabalho de Day-Lewis como criador de personagens multifacetados, com personalidades próprias e compostos através de sutilezas e o abridor de portas para a feitura de épicos com tonalidade mais crível, sem medo de ser belo, violento, contundente ou romântico, abraçando o estilo e aplicando personalidade ao mesmo. Enfim, um marco fabuloso do cinema, com certeza um “jovem” clássico.
Obs.: Este filme é uma adaptação tanto do romance homônimo escrito por James Fenimore Cooper, quanto do filme de 1936, de George B. Seitzutilizando elementos de ambas as obras.
 :: Ficha Técnica ::Elenco: Daniel Day-Lewis, Madeleine Stowe, Wes Studi, Russell Means, Eric Schweig, Jodhi May e Steven Waddington.

Título original: The Last of the Mohicans

Gênero: Épico / Aventura

Duração: 114 min.

Ano de lançamento: 1992

Estúdio: Morgan Creek Productions

Direção: Michael Mann

Roteiro: Michael Mann, Christopher Crowe

Produção: Hunt Lowry, Michael Mann

Música: Randy Edelman, Trevor Jones

Fotografia: Dante Spinotti

Edição: Dov Hoenig, Arthur Schmidt

 

:: Trailer ::

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