Arquivo da categoria ‘Filmografia’

Espaço dedicado a comentar, de maneira objetiva, a Filmografia completa ou os destaques de grandes realizadores e/ou atores e atrizes que marcaram a história do cinema.

A seção oferece, além do texto, dos trailers legendados (hospedados no YouTube) e dos pôsteres dos filmes, um campo de links composto pelas seguintes informações: Fichas Técnicas, Sinopses, Fichas dos principais envolvidos no IMDb (The Internet Movie Database), informações acerca das arrecadações nas bilheterias, além de outras possíveis informações complementares.

Dando seqüência à seção Filmografia, decidi destacar os filmes “hollywoodianos” do mais americano dos diretores alemães, Roland Emmerich. Tido por muitos (inclusive eu) como um cineasta com um grande potencial para criar e construir cenas grandiosas de ação, porém com um fraquíssimo senso de narrativa e um desapego quase que total por conteúdo em suas obras, Emmerich representa tudo o que o cinema americano (me refiro aos filmes blockbusters, que pelo bem ou pelo mal fazem a imagem do cinema do país ao redor do mundo) diz não ser, mas que não consegue provar: belíssimos espetáculos visuais, porém sem nenhuma profundidade narrativa, nenhum questionamento complexo, nenhuma inventividade e ousadia no sentido da concepção de idéias. Portanto, filmes engessados, enlatados, fast-food, feitos a toque de caixa visando agradar a gregos e troianos. Será que o alemão consegue? Vejamos a seguir:

1992 – Soldado Universal (Univesal Soldier)

Primeiro grande filme do alemão Roland Emmerich em Hollywood, Soldado Universal é uma interessante ficção-científica de ação assumidamente B. Apesar de hoje seu argumento ser bastante batido e frágil, o filme ainda apresenta algumas boas idéias e, o que mais importa em um título do gênero, consegue divertir o expectador, sobretudo graças ao carisma dos “atores” principais, Jean Claude Van-Damme e Dolph Lundgren.

Com um orçamento de cerca de 18 milhões de dólares, este filme foi o cartão de visitas de Emmerich que, juntamente ao então parceiro, produtor e roteirista Dean Devlin, conquistaram os produtores norte-americanos e arremataram a cada novo projeto mais investimento (grana) para suas produções, principalmente após faturarem mais do dobro disso apenas no mercado local.

Soldado Universal já é um bom exemplo do que viria a ser Emmerich como cineasta. Apesar de não ser tão grandioso e catastrófico quanto os longas que este assinaria posteriormente (em especial a partir de Independence Day), este exercício cinemático possui toda aquela aura da maioria das produções do gênero do começo da década de 1990, possuindo um misto de humor, violência (bastante contida, por sinal), ação e uma pseudo história “criativa” que propositalmente (será?) não sai da introdução. Vendo Soldado Universal hoje dá para notar o potencial que o mesmo teria caso os tópicos frisados no longa tivessem sido mais desenvolvido, como a tecnologia empregada nos tais soldados, a ação do governo para empregar estes em situações de conflito etc. e não apenas enfocar, como feito no filme, no conflito “pessoal” entre dois desses soldados, agora desertores.

1994 – Stargate

Com o bom desempenho do filme nas bilheterias, Emmerich conseguiu mais liberdade e grana para torrar em seu próximo projeto, que dessa vez seria pura ficção-científica. Stargate foi lançado em 1994 e é de longe o melhor trabalho da dupla Emmerich/Devlin. Com um plot muito criativo sobre viagem espacial através de um portal estelar (o stargate do título), além de fazer uma conexão com alienígenas, Egito antigo e a construção das pirâmides, Stargate é uma obra de entretenimento muito bem acabada, que alia um roteiro simples, porém dotado de muita criatividade, efeitos visuais competentes (principalmente para a época) e um elenco entrosado, encabeçado pelo veterano Kurt Russel e pelo aqui bastante carismático James Spader.

Numa época em que a dupla de roteiristas ainda não havia se deslumbrado apenas com a criação de sequencias de ação absurdas e excesso de efeitos visuais em detrimento da qualidade da história, Stargate é talvez o único exemplo de que Roland Emmerich talvez possa realizar uma obra com um pouco mais de classe e conteúdo e não só estética apurada. Este filme obteve um sucesso relativo que permitiu ao cineasta comandar seu filme mais conhecido e popular até hoje.

1996 – Independence Day

Astronômico sucesso de bilheteria (por muito tempo a maior de todos os tempos), este filme é considerado o cúmulo do gênero catástrofe, visto que o ataque alienígena promovido neste filme é até hoje, no que quesito exagero, considerado insuperável.  Dono de seqüências que incluem um presidente que, no clímax do longa, pilota um caça e ataca a nave-mãe alienígena e diálogos que remetem aos clássicos do gênero dos anos 1950, Independence Day deve ser encarado como um tributo as sci-fis B do meio do século passado, contudo com o upgrade dos efeitos visuais de última geração.

Um filme desprentesioso e por muitas vezes maniqueísta (talvez também tolo e redundante, já que como sempre os Estados Unidos identificam a ameaça e a solução para o conflito antes do resto do mundo), Independence Day é um filme tributo, que peca principalmente por se alonga demais para pouca trama (ora bolas, uma invasão alienígena – onde quase não se vê os seres invasores – num filme de quase 3 horas, na versão do diretor), além de um dos piores vícios de Emmerich como realizador: a ênfase em indivíduos e famílias durante a tragédia, quando a universalização cairia melhor num longa do gênero (catástrofe abarca uma população, não um indivíduo). Sendo assim, para o bem ou para o mal, este longa marcou Emmerich como um comandante de filmes catástrofe e de certa forma contribuiu para o estilo dos longas seguintes assinados pelo mesmo. É válido destacar o elenco do filme, fato este incontestavelmente marcante na carreira do cineasta alemão, que mesmo não conseguindo desenvolver personagens memoráveis, consegue bons nomes para os seus filmes e, no caso de Independence Day não poderia ser diferente. Passam pelo longa nomes de expressão (pelo menos na época – à exceção do sempre requisitado Will Smith) como Bill Pullman, Jeff Goldblum, Randy Quaid, além de Smith por exemplo.

1998 – Godzilla

Eis então que, após seu maior sucesso, Emmerich comete para muitos seu pior trabalho como realizador, a malfadada adaptação do ícone japonês Godzilla. Tentando contextualizar a origem da criatura com contornos científicos mais “acreditáveis” (aspecto marcante na filmografia do cineasta, mas que não é o seu forte), esta versão ocidentalizada desta criatura nipônica é bastante irregular, principalmente por, à exemplo do filme anterior do cineasta, enfatizar muito mais os efeitos visuais (que, apesar do grande auê da época, não chamaram assim tanta atenção, ao contrário do próprio Independence Day, por exemplo) que a própria trama ou, principalmente, o desenvolvimento dos personagens (principal ponto fraco do cineasta). Estrelado por um deslocado Matthew Broderick e contanto com diálogos que, seguindo o processo de “evolução” apresentado desde o filme anterior de Emmerich, Godzilla assume-se propositalmente como uma homenagem descarada aos filmes B de ficção-científica dos anos 1950 (talvez até mais B do que muitos daqueles).

Grande sucesso de bilheteria, mas inferior ao filme de invasão alienígena, Godzilla pode é considerado por muitos como o pior filme da carreira de Emmerich, mas o mesmo ainda diverte e possui alguns bons momentos, principalmente nas seqüências de ação que envolve a criatura destruindo a cidade de Nova York (é sempre legal acompanhar catástrofes na tela grande), contudo isto não salva o filme de ser, entre os trabalhos do cineasta, um dos mais dispensáveis, principalmente pela falta de seriedade apresentada pelo mesmo.  Mas Emmerich não deixaria de nos surpreender e, dois anos depois, o alemão abandona momentaneamente as desgraças generalizadas e aposta num filme mais “introspectivo” e “humano”.

2000 – O Patriota (The Patriot)

Prova maior de que Roland Emmerich é o maior cineasta não americano da história que realiza (e por que não, entende) os filmes mais americanos, O Patriota é um grande avanço no sentido técnico do cineasta, visto que esta ousada produção não depende apenas dos efeitos visuais digitais, mas também de aparatos artesanais como figurino, cenários (direção de arte), armamentos, maquiagem, além de locações e centenas de figurantes. Este primeiro (e até agora, único) épico de Emmerich foi uma grande aposta, porém naufragou em sua própria pretensão. O filme, apesar de ser carregado de clichês ufanistas e excessivamente maniqueísta (mas, convenhamos, o título já deixa tudo bem claro, não é mesmo?) é uma obra bem realizada, com seu aspecto técnico sobressaindo-se sobre todos os outros. Contando com um elenco de primeira (aspecto já comentado anteriormente), tendo nomes como Mel Gibson, Chris Cooper, Jason Isaacs, Tom Wilkinson, além de um até então desconhecido Heath Ledger, O Patriota é um belo exercício de como o cinema pode construir ícones ou difamar personagens, visto que é impossível, pela narrativa empregada neste longa (super longa, por sinal, com suas quase 3 horas de projeção) não se sentir inclinado a condenar ou aprovar determinadas atitudes e/ou personagens.

Mel Gibson encontra-se bastante a vontade aqui, já que interpreta um arquétipo de personagem ao qual claramente se identifica (o tipo enlouquecido por uma tragédia, mas que luta por um ideal “puro” – alguém lembrou de Coração Valente?), já o personagem de Jason Isaacs (mais conhecido como intérprete do personagem Lucius Malfoy, da série Harry Potter) é o cúmulo do clichê, visto que concebe o perfeito vilão inglês, que não respeita nada nem ninguém, tudo o que importa para ele é, literalmente, “pilhar, matar e destruir”, já que quem não é britânico é menos que uma animal para o mesmo. Talvez o personagem mais interessante do filme seja o vivido por Wilkinson, que demonstra bastante equilíbrio entre vilanização e consciência em sua interpretação. Contudo, como era de se esperar, as atuações (apesar de bem melhores do que as dos longas anteriores de Emmerich) não são mais uma vez o destaque do filme, que carrega no seu aparato técnico e na sua ótima trilha-sonora (à cargo do renomado maestro John Williams, recorrente parceiro de ninguém menos do que Steven Spielberg) seu grande chamariz.

O Patriota, apesar das incongruências (fato já tão comum na filmografia de Emmerich), marcou uma grande ruptura na carreira do mesmo. Foi o fim de sua parceria com o produtor e roteirista Dean Devlin (que carregava desde Soldado Universal), uma aposta em um gênero de filme completamente diferente do que produzira até o momento, porém que resultou em mais falhas do que acertos. Sendo assim, depois de diversas críticas malhando o filme (é capaz de o cineasta ter imaginado que este seria seu trabalho “oscarizável” – se bem que o mesmo ainda arrematou algumas indicações, porém todas no quesito técnico – por que será?) e uma bilheteria que apenas empatou seu custo de produção nos Estados Unidos (o mesmo até então fora um ótimo arrecadador) o mesmo se retirou por um tempo dos holofotes hollywoodianos para conceber seu próximo projeto, que seria nada mais do que uma volta ao tema que o mesmo reconhece que domina. Sendo assim, eis que quatro anos após sua inclusão no gênero épico, o diretor começa a nos preparar o fim do mundo.

2004 – O Dia Depois de Amanhã (The Day After Tomorrow)

Este é o filme mais politizado do cineasta. Com um subtexto bastante interessante, coerente e atual, apesar de simplista, Roland Emmerich nos mostra nesta superprodução as possíveis conseqüências, elevadas a 10º potência, de nossos maus-tratos com relação aos recursos naturais, e, utilizando a velha metáfora do “feitiço virando contra o feiticeiro”, nos apresenta diversas catástrofes ao redor do globo, devido ao acelerado processo de aquecimento do planeta, provocando um congelamento quase que imediato em diversas partes do globo (em sua maioria em países imperialistas, como os Estados Unidos – tai uma das melhores críticas do cineasta alemão). Contando com nomes como Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal e o veterano Ian Holm, o foco de O Dia Depois de Amanhã não poderia deixar de ser as grandiloqüentes seqüências de congelamento e o resultado disto nos Estados Unidos. E é aí que reside, mais uma vez, a grande falha do trabalho de Emmerich. A insistência em focar poucos indivíduos e suas inter-relações diminuem um consideravelmente o impacto da tragédia, visto que todas as catástrofes naturais e os conceitos críticos empregados pelo cineasta  se perdem entre “problemas” familiares e soluções inacreditáveis de superação e bondade (apesar de bonito de se ver, a verossimilhança do salvamento de Gyllenhaal por Quaid é totalmente questionável), além deste maniqueísmo atrofiado, em que uma vida salva vale mais do que dezenas – quantos não morreram – inclusive amigos próximos – para que o personagem de Quaid conseguisse salvar o filho?

Independentemente deste ponto, O Dia Depois de Amanhã funciona como entretenimento e confirma a pegada de Emmerich como profeta da destruição global, só que, com este trabalho, o mesmo demonstra certa evolução, já que conseguiu unir, em cerca de 2 horas (fato raro, visto que a maioria dos seus trabalhos são bem mais longos) seqüências atolada de efeitos visuais, conteúdo crítico (o cara se esforçou) e, apesar do roteiro não ajudar, personagens mais críveis e, por que não, complexos (na medida do possível). Estupendo sucesso de bilheteria, este filme deu a chance de Emmerich realizar posteriormente uma produção com orçamento ligeiramente mais baixo (para seus padrões) e com uma inusitada história ambientada durante a era do gelo. Ou seja, agora o cineasta alemão investiria num épico pré-histórico.

2008 – 10.000 A.C. (10.000 A.D.)

Este filme foi uma decepção total. Por que, apesar do excelente visual e da temática interessante (a mesma não foi enormemente utilizada no cinema), Roland Emmerich preferiu investir numa trama simplória e, até certo ponto, mal concebida da jornada do herói, onde o personagem principal é levado à glória sem mérito próprio, visto que na maioria das vezes os acontecimentos ocorrem meio que por acidente e acabam beneficiando-o (mesmo após quase quatro anos de produção). Quanto ao enredo, não dá para ser mais batido do que uma história de resgate (por sinal, muito parecida com um filme que fora lançado no ano anterior, o Apocalypto de Mel Gibson – que é bastante superior, por sinal), onde o guerreiro plebeu, apaixonado por uma garota que carrega a salvação da tribo de acordo com uma profecia, que é seqüestrada por uma tribo de “bárbaros” para ser sacrificada, deverá resgatá-la enquanto, através de superação e crescimento como homem e guerreiro, tornará-se-a um herói e salvador do seu povo. Um enredo base clássico, porém (para variar) muito mal desenvolvido por Emmerich e seu novo parceiro Harald Kloser.

Em resumo, 10.000 A.C. é um filme desinteressante, que mais uma vez prima pelo seu aspecto técnico e que falha no que se refere à construção de personagens, narrativa, roteiro e atuações (este filme, por sinal, é o primeiro do cineasta desde Soldado Universal, que não conta com pelo menos um nome de expressão no casting – a bela, porém sem expressão, atriz brasileira Camilla Belle não conta). Contudo, o pior ainda estava por vir. O público americano, geralmente tão afeito a produções viscerais, independentemente do conteúdo das mesmas, desta vez não comprou a idéia do cineasta alemão mais americanizado da história do cinema, resultando numa arrecadação de bilheteria em território americano consideravelmente abaixo do gasto em sua produção (o filme foi salvo pela bilheteria internacional). Eis então que Emmerich decide revisitar o universo das catástrofes ambientais em seu próximo projeto, inspirado em uma apocalíptica profecia maia. Sendo assim, ele lançaria seu O Dia Depois de Amanhã 2.0.

2009 – 2012

Talvez o filme com o elenco mais estrelar da carreira de Roland Emmerich, tendo nomes como os de John Cusack, Amanda Peet, Woody Harrelson, Danny Glover, Thandie Newton, Chiwetel Ejiofor e Oliver Platt, esta mega-produção de cerca de 200 milhões de dólares nada mais é do que a prova do espírito megalomaníaco de Emmerich como realizador e criador de cenas de destruição e catástrofes em escala global, mas também sua completa falta de tato como escritor e como criador de personagens. Repetindo a parceria do filme anterior com o roteirista Harald Kloser, 2012 talvez seja o pior filme de Emmerich, superando até mesmo o tão criticado Godzilla, já que este pelo menos assumia ser uma paródia, um autêntico filme B, já 2012 tenta a todo momento ser levado a sério e, mesmo apoiado em suas diversas seqüencias de catástrofes e destruição, recorre no maior erro de O Dia Depois de Amanhã e o amplifica inadvertidamente. Ou seja, temos aqui mais um filme em que o foco são as catástrofes “naturais” ocorridas no planeta, mas que se concentra de forma canhestra em um punhado de personagens (em grande parte americanos) e seu relacionamento com familiares e outros “problemas” pessoais. Portanto, apesar dos eventos serem de escala global, o resto da população mundial que, literalmente, se vire.

Excessivamente longo, dotado de efeitos visuais bastante irregulares (algumas cenas são de uma verossimilhança – se é que a palavra pode ser aplicada nesta situação – incríveis, enquanto outras fariam vergonha até mesmo ao começo do desenvolvimento dos efeitos digitais), o filme não faz juz ao seu inchado orçamento. Contudo, apesar de ser um produto fraquíssimo, o mesmo foi um dos maiores sucessos de bilheteria de 2009, coroando assim mais uma vez Roland Emmerich como o Midas do cinema pipoca em Hollywood, apesar de o mesmo já ter passado do ponto a muito tempo como realizador. Agora é esperar para ver qual será a próxima tragédia que será apresentada na tela grande pelo cineasta. Atualmente Emmerich encontra-se em processo de pós-produção do seu novo filme, Anonymous, que será lançado em setembro desse ano, e será nada mais nada menos do que um thriller shakespeareano. Tenha medo. Muito medo.

:: Trailers ::

SOLDADO UNIVERSAL

STARGATE

INDEPENDENCE DAY

GODZILLA

O PATRIOTA

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

10.000 A.C.

2012

:: Links ::

Sinopses e Fichas Técnicas (Adoro Cinema):

Soldado Universal

Stargate

Independence Day

Godzilla

O Patriota

O Dia Depois de Amanhã

10.000 A.C.

2012

Perfil de Roland Emmerich no IMDB

Filmografia de Mel Gibson (Wikipedia)

Retrospecto nas Bilheterias (Box Office Mojo):

– Soldado Universal

– Stargate

– Independence Day

– Godzilla

– O Patriota

– O Dia Depois de Amanhã

– 10.000 A.C.

– 2012

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Espaço dedicado a comentar, de maneira objetiva, a Filmografia completa ou os destaques de grandes realizadores e/ou atores e atrizes que marcaram a história do cinema.

A seção oferece, além do texto, dos trailers legendados (hospedados no YouTube) e dos pôsteres dos filmes, um campo de links composto pelas seguintes informações: Fichas Técnicas, Sinopses, Fichas dos principais envolvidos no IMDb (The Internet Movie Database), informações acerca das arrecadações nas bilheterias (pelo site The-Numbers), além de outras possíveis informações complementares.


Decidi estrear esta nova “coluna” do site com a filmografia de um dos mais polêmicos atores-diretores do momento: o australiano Mel Gibson. Astro de franquias como Mad Max e Máquina Mortífera (Lethal Weapon), além de outros sucessos como Sinais, de M. Night Shyamalan, Gibson estreou no cargo de realizador com o drama Um Home sem Face (The Man Without a Face), de 1993. Contudo, apesar deste drama intimista fazer, tecnicamente, parte do portfólio do astro como diretor, quis destacar neste texto apenas suas três obras posteriores que, como tentarei esclarecer em seguida, guardam muito em comum, principalmente no mais óbvio: ambas são filmes épicos. Portanto, vamos aos filmes.

1995 – Coração Valente (Braveheart)

Grande vencedor dos Oscars de melhor filme e melhor diretor no ano de 1996, Coração Valente é considerado referência até hoje no gênero de filmes épicos. Possuidor de seqüências de batalhas tecnicamente perfeitas (e violentas), além de apresentar um personagem bastante carismático (o William Wallace interpretado pelo diretor Gibson), apesar de ter sido concebido com uma estrutura clássica e previsível. Talvez resida aí a empatia que o mesmo passa, já que compramos a idéia de que este indivído realmente “foi” um herói.

Com uma narrativa linear, que mostra Wallace da infância a descoberta do amor, passando pela dor da perda da esposa e o posterior revide a corte inglesa através de uma insurreição, Coração Valente realmente é um marco do gênero. Um filme que traz, como poucos, momentos de ação, romance, comédia, tensão, horror e, por que não, esperança e heroísmo, tudo isso muito bem dozado em suas quase 3 horas de duração. Possuidor de um elenco de apoio de primeira, a destacar as presenças das beldades Sophie Marceu e Catherine McCormack, além de cobras como Brendan Gleeson (ainda desconhecido na época) e Brian Cox, sem esquecer jamais do perfeito em cena Patrick McGoohan, que personifica a vilania em pessoa, independentemente se fiel ou não a realidade.

Coração Valente é um dos raros filmes que me emocionou quando criança (quando o vi pela primeira vez tinha por volta de 9 anos de idade) e que me emociona até hoje. Apesar de possuir cenas fortes e violentas, Coração Valente é preciso, visto que infere no espectador que as batalhas que foram travadas são retratos fieis as reais ao qual o filme foi baseado. Um resultado perfeito entre entretenimento, fantasia, reconstituição histórica e liberdade poética, esta segunda aventura de Gibson na realização de um filme mostrou-se imcomparavelmente marcante, mesmo com o maior sucesso (comercial) do seu próximo título como diretor (que só viria no ano de 2004), que comento abaixo.

2004 – A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ)

Mel Gibson é considerado um católico fanático. Um home religioso de mão cheia. Sendo assim, o mesmo decidiu bancar (a exemplo de Coração Valente) a produção de mais um filme sobre um líder revolucionário. Contudo, desta vez este líder era ninguém menos que Jesus Cristo de Nazaré, talvez a personagem histórica mais amada e estudada até hoje. Iniciando o filme num período de algumas horas antes da morte de Cristo, até o momento de sua ressurreição (me poupe quem não conheço nem por alto a trajetória de Jesus Cristo), Gibson apresenta aqui um retrato cru e, na medida do possível, realista desta triste história. Enfocando mais a violência sofrida por Cristo do que sua trajetória e pregações, A Paixão de Cristo funciona como uma espécie de catarse para todos que se sentem a margem da sociedade, que se sentem abandonados ou até mesmo sofreram castigos físicos e psicológicos horríveis. Considerado por alguns uma obra de mal gosto (talvez pela “vilanização” um tanto quanto abusiva dos judeus no longa – contudo, fatos são fatos) e excessivamente violenta (realmente o filme faz jus a títulos como Jogos Mortais, entretanto é compreensível a adoção deste estilo, visto que são diversos os relatos que corroboram a “judiação”, pra não ser violento também nas palavras, pelo qual Jesus passou), A Paixão de Cristo mostra-se como uma boa obra a retratar a trajetória desta tão conhecida figura. Interpretada pelo contido Jim Caviezel (da versão de 2002 de O Conde de Monte Cristo), Jesus Cristo é mostrado aqui num misto entre homem decidido e perdido, conferindo assim bastante credibilidade a esta tão polêmica figura. O grande destaque da obra de Gibson foi a de tentar reproduzir a sociedade daquela época e para isto contou com excelentes profissionais de fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem e efeitos visuais, passando pela mágica da edição, que nos faz acreditar nesta magia do cinema como realidade possível. Outro ponto de destaque foi a coragem do mesmo em filmar todo o filme no dialeto local, o aramaico, mesmo com grande parte do seu elenco vindo de países ocidentais (ou seja, não falam esta língua). Co-escrito por Gibson, A Paixão de Cristo não é uma obra tão completa e inesquecível como Coração Valente, principalmente por deter-se mais ao visual do que ao conteúdo em si (convenhamos, a mensagem de que Ele sofreu por nós poderia ser dada em cerca de 30 minutos e não nas mais de duas horas de projeção do longa), mas demonstra o talento e eficiência de Gibson como realizador, já que apesar de toda a polêmica instaurada na época, este título foi um dos maiores sucessos de bilheteria no ano de seu lançamento. Em resumo, este filme é excessivamente violento, porém muitíssimo eficiente.

2006 – Apocalypto

Em 2006 foi lançado o até agora último trabalho de Gibson como diretor. E, como já esperado devido ao seu histórico em filmes anteriores, Apocalypto nada mais é, em sua estrutura, do que uma mistura entre Coração Valente e A Paixão de Cristo, já que este possui a “aura” heróica e o herói implacável que se vê forçado a agir e se superar devido a um evento que destrói o equilibrio seu mundo particular (como em Coração Valente), além da estetização visceral da violência, através de grandes cenas de combates e torturas (sejam estas físicas, ou psicológicas) e também de referências a sobrenaturalidade do personagem principal (uma espécie de escolhido, de salvador), como em A Paixão de Cristo.

Narrativamente o filme não apresenta novidades, visto que replica a opção do longa anterior de Gibson ao filmar o longa com a suposta língua falada na época ao qual o filme retrata (antes do “descobrimento” das Américas), além de seu roteiro ser bastante simples, tendo basicamente a caçada como foco (o filme lembra muito, a partir de sua segunda hora o clássico Predador, de 1987).

Tecnicamente impecável e dotado de boas cenas de ação, Apocalypto tem o mérito de possuir um elenco praticamente desconhecido e possuir uma edição bem atrativa, principalmente na “caçada final”. Um ponto negativo seria a falta de substância no que se refere aos aspectos socio-culturais e místicos do povo maia, que quase não é focado no filme (a não ser no momento dos sacrifícios humanos que, ao meu ver, só é apresentado por Gibson pois o mesmo poderia aproveitar a “violência estética” do acontecimento).

Vendido no seu lançamento como algo mais do que um épico de ação (inusitado, pela sua ambientação, mas ainda um épico), já que o mesmo arriscaria bastante ao abordar a linguagem do povo retratado, além da possibilidade de discutir a cultura daquele povo (muitos pensavam que o filme teria um alto valor antropológico, inclusive este que vos escreve), Apocalypto dececpcionou um pouco. No entanto, apesar deste grande parêntese, este mais recente trabalho de Gibson é uma excelente obra de entretenimento que conseguiu ser mais equilibrado que o filme acerca das últimas horas de Cristo em vida, mas não repetiu o pioneirismo, energia e sucesso (tanto financeiro, quanto de público e crítica) do grande épico chamado Coração Valente.

Mel Gibson hoje

Após o lançamento de Apocalypto Mel Gibson não lançou nenhum filme ocupando o cargo de diretor e, como ator, apareceu somente no thriller policial O Fim da Escuridão, de Martin Campbell (Casssino Royale) no ano passado. Ou seja, como diretor ou ator, Gibson amargou um período de quase quatro sem anos sem ser visto em nada. Há rumores de que o mesmo voltará a cadeira de diretor num outro projeto épico que envolverá astros do porte de Leonardo DiCaprio (A Origem). Contudo, a única certeza mesmo é a participação de Gibson como protagonista do novo filme da atriz Jodie Foster (O Silêncio dos Inocentes)como diretora, intitulado The Beaver, que já foi filmado mas ainda não tem uma data oficial de estréia.

:: Trailers ::

CORAÇÃO VALENTE

A PAIXÃO DE CRISTO

APOCALYPTO

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Sinopses e Fichas Técnicas (Adoro Cinema):

Coração Valente

A Paixão de Cristo

Apocalypto

Perfil de Mel Gibson no IMDb

Filmografia de Mel Gibson (Wikipédia):

Ator

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Retrospecto nas Bilheterias (The-Numbers.com):

Coração Valente

A Paixão de Cristo

Apocalypto