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Pato Fu – Música de Brinquedo (2010)

Publicado: setembro 9, 2010 em Música

Simplesmente lindo o novo trabalho da banda mineira Pato Fu. Intitulado Música de Brinquedo, este disco consiste num trabalho altamente experimental, porém brilhantemente emotivo. O motivo? A concepção do projeto em si. Este disco nada mais é do que uma seleção de covers da música mundial, indo de Tim Maia (Primavera) e Rita Lee (Ovelha Negra), até B.J. Thomas (Rock and Roll Lullaby) e Paul McCartney (Live and Let Die). Porém, além do belo repertório, o que mais chama a atenção é a proposta do trabalho dos mineiros. Esta tem o objetivo de agradar ao público infantil, portanto diversas crianças participam das músicas, cantando em momentos pontuais e muito emocionantes (lágrimas vêem aos meus olhos a cada nova audição, pois ao ouvir este disco remeto-me a minha infância automaticamente).

Pato Fu - Música de Brinquedo

Outro aspecto que merece ser pontuado é que toda a parte do instrumental do disco foi feita a partir de instrumentos de brinquedo e sons tirados de diversos brinquedos (não obrigatoriamente instrumentos musiciais). Portanto, a sonoridade deste trabalho é muito peculiar, mas em nenhum momento compromete a audição de maneira negativa.

Pato Fu

Por fim, um trabalho surpreendente que fará qualquer marmanjão com um mínimo de coração se emocionar e rir muito (com os olhos bastante marejados) das performances das crianças, que esbanjam empolgação e doçura. Sensacional.

Obs.: Quanto à banda, esta continua competente como sempre. Fernanda Takai, apesar de não possuir uma grande variação vocal, aposta no usual e entrega uma interpretação inspirada. Quanto ao restante da banda mandam todos muito bem, visto que não é para qualquer ser bem sucedido na missão de musicar algo com diversos instrumentos musiciais no mínimo inusitados.

Músicas:

1. Primavera (Vai Chuva) – Tim Maia

2. Sonífera Ilha – Titãs

3. Rock and Roll Lullaby – B.J. Thomas

4. Frevo Mulher – Zé Ramalho

5. Ovelha Negra – Rita Lee

6. Todos Estão Surdos – Roberto e Erasmo Carlos

7. Live and Let Die – Paul McCartney

8. Pelo Interfone – Ritchie

9. Twiggy Twiggy – Burt Bacharach

10. My Girl – The Temptations

11. Ska – Os Paralamas do Sucesso

12. Love Me Tender – Elvis Presley

Videoclipes:

PRIMAVERA (VAI CHUVA)

LIVE AND LET DIE

Links:

Pato Fu (Site oficial)

You Tube (Canal da banda no YouTube)

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Angra – Arising Thunder (Single digital, 2010)

A nova música trabalho da banda Angra, primeira com letra composta por Edu Falaschi (vocal) – quase todas as letras da banda eram de autoria do guitarrista Rafael Bittencourt -, não apresenta grandes novidades na sonoridade já praticada pela banda. Sua estrutura, de certa forma, resgata um pouco da mostrada no álbum Rebirth, de 2001, o primeiro com esta formação (com exceção do baterista Ricardo Confessori). Advinda do álbum intitulado Aqcua, que será totalmente baseado na clássica peça A Tempestade, do dramaturgo inglês William Shakespeare, Arising Thunder começa com uma tradiconal abertura de guitarras dobradas ao estilo da banda, com aquele solo que mistura partes “cantáveis” com velocidade e técnica. Os bumbos duplos a cargo de Confessori marcam bem a música, aliando momentos de velcoidade com boas rufadas que dão um senso rítmico a canção. A linha vocal inicial possui uma melodia que lembra bastante as criadas por Andi Deris, vocalista da banda Helloween, por ser bastante compassado. O pré-refrão causa bastante espectativa no ouvinte, porém o refrão não empolga tanto quanto a parte inicial da música. A partir daí segue a mesma fórmula de solos intermináveis (bem executados, obviamente, mas um tanto quanto cansativos) até voltar a ponte de pré-refrão, culminando no refrão mais uma vez e com um final que remete claramente a canção Rebirth, do álbum auto-intitulado.

Apesar de não ousar na estrutura musical, mantendo-se bastante fiel a sua sonoridade padrão (principalmente pós 2001) o Angra apresenta uma música que deve agradar bastante seus fãs, contudo fica um gostinho de quero mais no espectador, visto que essa é a música que mostra a banda após 4 anos sem nenhuma novidade. Agora é esperar para ouvir o álbum como um todo, que por ser conceitual pode fazer com que esta faixa funcione melhor no conjunto do que isolada.

Blind Guardian – A Voice in the Dark (Single, 2010 – Nuclear Blast)

Esta é a nova música de trabalho dos bardos alemães do Blind Guardian, que já começa bastante agressiva, remetendo aos tempos do álbum Imaginations From the Other Side (1995). Contudo, apesar de bastante veloz e agressiva, falta ainda um pouco de punch a faixa, fato este que a banda perdeu desde o disco A Night at the Opera (muito bom, por sinal). O refrão da canção mostra toda aquela pompa característica do grupo, e logo a introdução “true metal” retorna, deixando a música com uma dinâmica previsível, mas que funciona.

A Voice in the Dark é, na verdade, uma boa amálgama do que é hoje o Blind Guardian, a união entre o Power Metal direto praticado pela banda até meados dos anos 1990 e a “viagem” sonoro e o experimentalismo beirando ao progressivo vindo a partir do disco Nightfall in the Middle-Earth (1998), culminando no altamente lisérgico (no bom sentido) A Night at the Opera, de 2002.

André Olbrich apresenta mais um bom solo melódico e Hansi Kusch continua esbanjando potência e bom gosto nos arranjos de voz. De resto, nada fora do comum, mas é uma canção que empolga e traz expectativa positiva para o novo álbum dos bardos, se bem que uma faixa cover disponível neste single, intitulada You’re the Voice, apresenta-se mais interessante do que a faixa título. Vamos esperar o lançam
ento do full-lenght para termos uma opinião mais coerente ao contexto da obra como um todo.

:: Links ::

Site oficial: Angra

Site oficial: Blind Guardian

Pode parecer que, pela generalização acima (pop rock), as bandas Capital Inicial e Cidade Negra pratiquem o mesmo estilo musical. Nada mais distante do que isso. É indiscutivel que a sonoridade de ambos os grupos soam bastante distintos, como o Capital apostando numa sonoridade mais ligada ao punk rock e ao rock n’ roll clássico, enquanto o Cidade mostra através do reggae e da ska music suas principais influências. Contudo, ambos abraçam com gosto o conhecido pop rock, visto que as guitarras semi-distorcidas, os arranjos de cunho pop e as baladas feitas para tocar sem parar nas rádios fazem parte do repertório de ambas as bandas e, não podeseria ser diferente nestes novos trabalhos.

"Das Kapital", novo trabalho da banda brasiliense Capital Inicial.

Começemos falando acerca do novo trabalho de estúdio do Capital Inicial, intitulado Das Kapital (título inspirado num dos mais famosos ensaios do economista Karl Marx). Sem lançar um trabalho de estúdio desde o mediano Eu Nunca Disse Adeus, de 2006 (em 2008 lançaram um trabalho ao vivo), o Capital não faz grandes mudanças no seu som, que foi reestabelecido após a sua volta a ativa, em 2000 e, principalmente após o grande sucesso do album Acústico Mtv, de 2001. Ou seja, a fórmula continua a mesma: rocks diretos com temática de rebeldia jovem, baladas melódicas com letras simples e diretas, porém eficientes e algumas canções um pouco mais, digamos, viajadas – talvez por influência do guirrista Yves Passarel, antigo membro da clássica banda de Heavy Metal Viper.

Capital Inicial: Yves Passarel (guitarra), Flávio Lemos (baixo), Fê Lemos (bateria) e Dinho Ouro-Preto (voz).

Algumas faixas se destacam das demais, a exemplo da boa faixa de abertura (escolhida como primeira música de trabalho / videoclipe), Depois da Meia Noite, a semi-psicodélica Como Se Sente, a singela balada Não Sei Por Que, a poderosa e emotiva Vamos Comemorar (onde o vocalista Dinho Ouro-Preto mostra um grande desempenho, com gritos que não se via desde o começo de sua carreira. Até então uma surpresa, visto que recentemente o mesmo passou por uma complicada recuperação após um acidente e, convenhamos, ele não é mais nenhum garoto) e a veloz e quase anos 80 (os arranjos de teclado lembram bastante a banda norueguesa A-Ha) Melhor.

Ou seja, apesar de não modificar tanto sua estrutura musical, o Capital Inicial lança um bom trabalho, o melhor da banda desde o ótimo e multi-platinado Rosas e Vinho Tinto, de 2002. O único detalhe é que, a primeira audição, não se consegue identificar quais seriam as próximas possíveis músicas de trabalho. Das Kapital se apresenta como um album por completo, um conjunto de canções que funcionam em uníssomo e não como uma colcha de retalhos que possui alguns bons candidatos a hits (como o album anterior, que conseguiu deslanchar canções como a faixa título do album e A Vida é Minha (Eu Faço o Que Eu Quiser), mas não obteve o mesmo êxito com canções como Aqui – por sinal, muito melhor que a faixa título).

Por fim, um bom trabalho que com certeza vai agradar aos fãs da banda. Quanto aqueles que não engolem o Capital Inicial, infelizmente não será dessa vez que passarão a gostar da banda.

Quanto ao Cidade Negra, o processo é um pouco diferente. Que Assim Seja é o primeiro trabalho da banda sem as presenças do vocalista Toni Garrido e do guitarrista Da Gama, além de ser a estréia do vocalista mineiro Alexandre Massau (também assumindo o posto de guitarrista) e também de ser o primeiro trabalho do grupo lançado de forma independente.

Capa do novo disco da banda Cidade Negra, "Que Assim Seja"

Quanto a sonoridade, Que Assim Seja se mostra um pouco diferente dos trabalhos mais conhecidos do Cidade Negra. Algumas músicas aparecem com um estilo parecido com o da banda Natirutz (na questão da musicalidade, não em termos líricos). Percebe-se então a influência trazida por Massau, visto que o reggae praticado pelo Cidade parece voltar um pouco para as raízes do começo de sua carreira, sem deixar de trazer uma veia pop, mas de maneira diferente da fase Toni Garrido (que, por sinal, lançou um disco solo há pouco tempo).

Algumas canções de destaque neste trabalho são a faixa de abertura Gesto Original (bem compassada e direta), a faixa-título Que Assim Seja (que já possui videoclipe e tem uma levada bem pop, sem descaracterizar a sonoridade da banda), a bela Vem Morar Comigo e Um Novo Dia (talvez uma das que apresentem mais semelhanças com a banda Natirutz). Contudo, o disco como um todo é muito bom, apesar de não apresentar aquela veia pop grudenta que a banda apresentou nos diversos trabalhos lançados durante a década de 1990, nem potenciais hits como O Erê, A Estrada, A Sombra da Maldade, dentre outras. No entanto, Que Assim Seja é um ótimo album e, principalmente, um excelente recomeço para essa grande banda, seja ela de reggae, de pop, de rock, não importa. Com ou sem rótulo, o Cidade Negra é uma das melhores bandas brasileiras em atividade.

Cidade Negra: Bino Farias (baixo), Alexandre Massau (voz) e Lazão (bateria).

Em resumo, dois bons trabalhos de duas ótimas bandas brasileiras. Apesar de possuírem características e públicos distintos (será?), elas demonstram que, apesar de veteranas, ainda têm muita lenha para queimar, mesmo que a lenha traga consigo, lá no fundo, um sentimento de nostalgia e não de inovação. Entretanto, só é necessária a mudança total de sonoridade quando o público não mais deseja consumir aquilo que lhe é oferecido e, como tanto o Cidade Negra, quanto o Capital Inicial sabem como poucos oferecer aquilo que seu público pede, com qualidade, esta mudança estará cada vez mais distante. Por fim, duas boas dicas para quem gosta das bandas ou de um som direto, simples, acessível, mas de qualidade.

:: Sites Oficiais ::

Capital Inicial

Cidade Negra

:: Críticas ::

G1 – Capital Inicial

Divirta-se – Cidade Negra

:: Videoclipes ::

Capital Inicial – Depois da Meia Noite (2010)

Cidade Negra – Que Assim Seja (2010)