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Até agora a melhor graphic-novel da série Marvel Knights, Namor: As Profundezas é uma grande história de mistério, que bebe bastante de autores clássicos do horror, como Edgar Alan Poe e H.P. Lovecraft, principalmente pelo clima passado através das linhas de Peter Milligan (X-Force) e da arte de Esad Ribic (Loki, Surfista Prateado: Réquiem). Claustofóbrica e cheia de mistério, o enredo dividido em cinco partes mostra-se interessante do começo ao fim, procurando envolver o leitor através das personalidades distintas dos diversos personagens apresentados durante a trama. Na verdade, o personagem título (Namor, ou Sub-Mariner na edição original) nada mais é do que um coadjuvante e, talvez por isso, o roteiro desenvolvido por Milligan funcione tão bem, pois passamos a acompanhar as “descobertas” e reviver as “lendas” sobre o ser atlante junto aos homens que participam da expedição marítima.

Carregado de um clima vitoriano e passado em meados do século XX (nunca fica claro o ano em que a história se passa), Namor: As Profundezas é quase que perfeito, mais pelo clima e ambiência da história, do que propriamente pela inovação criativa do enredo. Esta perfeição no que se propõe só não é devidamente alcançada devido ao fator técnico, que, infelizmente, é essencial numa novela gráfica: a instabilidade apresentada no traço de Ribic. Conferi os trabalhos Loki e Surfista Prateado: Réquiem, ilustrados por Ribic, e a qualidade dos mesmos são substancialmente mais uniformes do que a que o artista apresenta em As Profundezas. É claro que não é a todo momento que a arte do ilustrador “falha”, contudo em alguns momentos ela parece um tanto quanto apressada.

Exceptuando essa pequena falha, Namor: As Profundezas é, até então, o melhor, mais interessante, cativante, dinâmico e bem-executado produto da linha Marvel Knights, equilibrando perfeitamente a necessidade de apresentar o personagem título aos não iniciados, ao mesmo tempo em que não incomoda, de maneira alguma, o leitor já familiarizado com o mesmo, principalmente pela roupagem distinta apresentada do mesmo, que não o descaracteriza, pelo contrário, no meu ponto de vista, o torna tão ou até mesmo ainda mais interessante do que o mesmo é.

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Já publiquei comentários sobre os seguintes títulos da linha de especiais Marvel Knights, lançadas no Brasil pela Panini Books/Panini Comics:

Capitão América: A Escolha

Homem-Aranha: Com Grandes Poderes…

Namor: As Profundezas foi lançado no Brasil pela editora Panini, numa caprichada edição em capa dura que reúne as cinco partes da minissérie publicada originalmente, nos Estados Unidos, no ano de 2008. O preço cobrado pela obra é bastante justo, principalmente pela alta qualidade de sua formatação por aqui.

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Mais uma história lançado sobre o selo Marvel Knights, Homem-Aranha: Com Grandes Poderes…, escrita por David Lapham (Batman – City of Crime)e ilustrada por Tony Harris (Ex-Machina), nada mais é do que mais uma revisita à origem do personagem. Dividida em cinco partes, a história tem como diferencial, em comparação ao enredo original de Stan Lee, o foco em um Peter Parker mais irresponsável, tanto pelo peso do descobrimento dos poderes de aranha, quanto pelas próprias características advindas do período de adolescencia, além, é claro, do impacto constante de bullying sofrido por Parker anteriormente ao acidente que o confere poderes sobrehumanos.

Sem um fechamento efetivo (sugerindo então uma possível continuação à série, que até então não foi confirmada – passaram-se 3 anos de sua publicação), Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… é um material interessante para os não iniciados na trajetória do personagem e que desejam um material independente para que possam adentrar no universo do mesmo. É claro que esta história não pertence a cronologia oficial do personagem, contudo não há grandes diferenças entre o enredo desta e a essência do personagem em suas histórias, digamos, oficiais.

Quanto aos leitores já iniciados, que acompanham, acompanharam ou possuem um bom conhecimento acerca do universo do Homem-Aranha, não recomendo à leitura desse produto, principalmente por que o mesmo não apresenta nenhuma novidade, no que se refere à uma nova leitura ou interpretação do personagem. Por sinal, a revisita da origem do personagem feita por Brian Michael Bendis (roteiro) e Mark Bagley (desenhos) na série Ultimate (universo alternativo dos personagens da Marvel Comics) é bem melhor, em todos os sentidos – talvez não no traço, mas isso não faz assim tanta diferença em termos narrativos – do que Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… .

Sendo assim, reforço que essa história é indicada principalmente aqueles que não tem grande conhecimento sobre o personagem, principalmente os que não conhecem a fundo a origem do personagem e seus primeiros anos em ação (ou seja, talvez aqueles que conheçam o personagem apenas pelos filmes ou desenhos animados).  Até agora, dentre as séries de encadernados sob o selo Marvel Knights que saíram no Brasil, Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… é a mais fraca, não pelo enredo/traço em si, mas sim por não ousar em sua abordagem, nem apresentar novidades à estrutura narrativa e/ou estética do personage. Portanto, apesar de estar longe da perfeição, a outra HQ conferida da série, Capitão América: A Escolha, é um produto mais interessante (mesmo não sendo realmente uma história do Capitão América como personagem principal) e portanto melhor do que Homem-Aranha: Com Grandes Poderes…

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Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… foi lançado no Brasil pela editora Panini, numa caprichada edição em capa dura que reúne as cinco partes da minissérie publicada originalmente, nos Estados Unidos, no ano de 2008. O preço cobrado pela obra é bastante justo, principalmente pela alta qualidade de sua formatação por aqui.

 

Parte da iniciativa Marvel Knights, selo criado pela editora de quadrinhos norte-americana Marvel Comics visando contar histórias fechadas e, de certa forma, mais aprofundadas de diversos ícones de seu universo de super-heróis,  sempre contando com roteiristas e ilustradores de peso, Capitão América: A Escolha (Captain America: The Chosen) é uma história originalmente publicada em seis partes que tem como mote a fatídica morte do herói (o mesmo está com uma doença degenerativa) e sua busca por um “substituto” que literalmente carregue sua bandeira e, com isso, seu legado de honra, justiça, honestidade, coragem e esperança.

É claro que a história escrita pelo autor do romance First Blood (que inspirou o filme Rambo – Programado para Matar), David Morrel e belamente ilustrada por Mitch Breitweiser, traz mais do que isso em suas pouco mais de 130 páginas, contudo, como seria de esperar de um personagem tão complexo quanto o Capitão e do “passado” do autor (criou John Rambo. Preciso dizer algo a mais?) a história às vezes exagera no patriotismo barato, principalmente quando não consegue universalizar o tema (alguns grandes escritores conseguiram fazer isso quando escreveram histórias do personagem) e descarrega sem piedade o poder e o lugar do norte-americano como bússola da sociedade, da moral e da vida. É certo que esses são momentos pontuais, mas que não deixam de incomodar quando surgem.

Contudo, o aspecto mais negativo da trama (muito bem contada, por sinal) se dá logo na primeira parte da mesma, quando somos posicionados no conflito Iraque x EUA e nos é vendido (mérito não apenas desse quadrinho, que fique bem claro) todo o pensamento alienado do que, quem e como é um terrorista, não faltando é claro a figura do até então (a HQ começou a ser lançada no final de 2009 e foi concluída em 2010) inencontrável Osama Bin Laden.Em resumo, no conflito armado no Iraque, o exército da salvação e da justiça (EUA) se vê constantemente num ambiente de medo e frustração, contudo o mesmo não é dito do povo iraquiano que tem, por bem ou por mal, sua terra invadida, além de generalizar de forma muito rasteira quem é e quem não é terrorista.

Falando em medo, este sim é um conceito muito interessante abordado por Capitão América: A Escolha, já que o personagem título afirma diversas vezes ao seu suposto substituto (um soldado em serviço no Iraque) que foi  justamente este sentimento que o fez um homem melhor, já que foi através das sucessivas batalhas (mentais) para enfrentar seus medos que o mesmo cresceu, transformando escolhas carregadas de medo em atos de coragem e bravura, tendo assim Morrel um excelente ponto de vista a mostrar ao leitor sobre o quanto podemos alcançar quando sobrepujamos nossos medos.

Enfim, Capitão América: A Escolha tem momentos de altos e baixos, contudo com o andamento da história os primeiros se sobrepõem aos demais, ficando assim no cerne do leitor a certeza de que idependentemente de bandeira, credo, partido ou filosofia de vida, os sentimentos básicos como liberdade e esperança são universais e, através de uma reflexão discreta, Morrel e Breitweiser nos contam uma história batida, contudo sempre eficiente, de que apenas nós mesmos podemos nos tornar-mos homens e mulheres melhores, ou seja, seres-humanos plenos, em conceito, grau e gênero.

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Capitão América: A Escolha foi lançado no Brasil pela editora Panini, numa caprichada edição em capa dura que reúne as seis partes da minissérie publicada entre os meses de novembro de 2009 e fevereiro de 2010, nos Estados Unidos. O preço cobrado pela obra é bastante justo, principalmente pela alta qualidade de sua formatação por aqui. Recomendado para fãs de histórias em quadrinhos, colecionadores ou não.