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E já parece rotina: a cada 6 meses tem que estrear uma série com a assinatura de J. J. Abrams (Lost, Fringe, Person of Interest). A bola da vez é um projeto concebido por uma velha colaboradora de Abrams, a produtora e roteirista Elizabeth Sarnoff (Deadwood, Lost), que apresenta o misterioso desparecimento da população inteira do presídio de Alcatraz, no longínquio ano de 1963 e o também curioso reaparecimento de alguns destes, quase cinquenta anos depois, entretanto sem nenhuma mudança de idade. Enigmas? Mas é claro que sim. Apesar do ecletismo do produtor, o forte dele é mesmo trabalhar conceitos que envolvam mistérios.

Então, vamos à série!

O episódio piloto de Alcatraz é irregular, contudo consegue ganhar o espectador pelo desfecho, que gera curiosidade em acompanhar, pelo menos por mais um capítulo, o que acontecerá a partir de então. Comentar acerca de um produto no qual seu trunfo é o mistério é complicado, pois qualquer revelação publicada aqui acarretará numa depreciação da obra, sendo assim, me aterei apenas a dizer que Alcatraz parece ser o melhor produto com a marca J. J. Abrams desde Fringe – apesar de que desta vez o produtor estar realmente apenas produzindo, já que este não contribuiu em “nada” com relação ao conceito/trama da série -, pois traz uma trama apoiada até então na seriedade, estabelecendo o universo no primeiro episódio de maneira mais satisfatória do que o último lançamento de Abrams, por exemplo (Person of Interest), além de render algumas homenagens (propositais ou não) ao fenômeno Lost, tirando o fato de ambas as séries terem como personagem de destaque uma ilha cheia de mistérios. Estrelada pela desconhecida (e até então sem carisma) Sarah Jones e pelo Hurley de Lost, Jorge Garcia, além de contar com o veterano ator Sam Neill (Jurassic Park), Alcatraz não traz exatamente nada de deslumbrante ou curioso a ponto de despertar um interesse diferenciado no espectador – na verdade a série parece ser um casamento entre Fringe e Lost -, mas convence e gera curiosidade, aspecto este positivo, até por que está cada vez mais raro hoje produzir um episódio piloto que realmente cative de forma inequívoca o espectador, especialmente de uma série que brinca com temas “fantásticos” como esta.

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Alcatraz é produzida pelo canal FOX e teve sua estréia – nos Estados Unidos – no no último dia 16 de janeiro. No Brasil,  sua estréia está marcada para hoje, às 22 horas, no canal à cabo Warner.

:: Trailer ::

:: Links ::

– Site Oficial: Alcatraz

– Página oficial no IMDb

– Fichas do IMDb:

* Elizabeth Sarnoff (produtora, co-criador e roteirista)

* J. J. Abrams (produtor executivo)

* Sarah Jones

* Jorge Garcia

* Sam Neill

* Michael Giacchino (compositor)

 

Elenco de "Alcatraz" posando para material de divulgação.

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Fonte: Google Imagens.

Este ano o Top 10 Filmes será diferente. Para não parecer injusto, pois seria muita audácia indicar uma lista fechada de filmes, já que muitos dos grandes lançamentos não foram vistos por mim (até por que alguns, como grande parte dos filmes “oscarizáveis”, só estrearão em território nacional agora em 2012). Sendo assim, publicarei abaixo uma lista com 10 filmes que são, até então, os meus preferidos do ano de 2011 (lembrando que o critério para o filme constar nesta lista é a data de lançamento do mesmo no Brasil e não no seu país de origem) e, até o meio do ano de 2012, publicarei uma outra listagem, sem número definido de títulos, com demais filmes que, no meu ponto de vista, deveriam constar nesta, seja no lugar de algum dos publicados, ou simplesmente como acrescidos, formando assim uma lista de 10 filmes com 13 títulos, por exemplo.

Outra mudança em relação à lista de 2010 está no que se refere a posicionamento. Como a função primordial desta listagem é indicar alguns dos filmes que julgo estarem num patamar de excelência e/ou que me marcaram de uma forma diferenciada, portanto, o que importa é que tais filmes estejam listados e não a ordem de preferência ou qualidade atribuída aos mesmos. Sendo assim, a seguinte relação estará organizada em ordem alfabética. Aproveitem a leitura e comentem se concordam com a seleção, se houve alguma supervalorização ou injustiça, enfim, opinem e fomentem discussões aqui no Teia Pop!

ABUTRES  (Carancho, 2010).

Direção: Pablo Trapero. Com Ricardo Darín e Martina Gusman.

Soco no estômago!

Existem filmes que marcam pela “ousadia”, outros pela “obviedade”, contudo alguns conseguem marcar pelo choque. Este é o caso de Abutres, filme argentino dirigido pelo cineasta Pablo Trapero, do premiado Leonara (que conta com a participação do brasileiro Rodrigo Santoro) e estrelado pelo grande Ricardo Darín (O Segredo dos seus Olhos) e por Martina Gusman (Leonera), que aborda o processo criminoso dos seguros de vida/morte por acidentes de trânsito no país, enfocando as figuras de um advogado (Darín) e uma enfermeira plantonista de emergência (Gusman) e seu futuro envolvimento, além do conflitos que surgem tanto em detrimento do envolvimento de Darín nesta atividade, quanto dos “problemas internos” enfrentados por este quando o mesmo decide abandonar a “carreira”. Cheio de denúncia social, violento e com imagens fortes, Abutres (como são conhecidos os profissionais da estirpe da personagem de Darín) dividiu opiniões, entretanto para mim é um filme excelente, apesar de incômodo e negativista, pois consegue surpreender e causar aflição mesmo em situações que inferem obviedade, descontruindo o óbvio em razão da surpresa. Até hoje só conferi um filme que me causou sentimento semelhante – e que, de certa forma, aborda o mesmo tema “vida e morte” -, Vivendo no Limite, filme de 1999 de Martin Scorsese, estrelado pelo querido Nicolas Cage, que também recomendo. Enfim, dentre tantos (bons) filmes vistos durante o ano, não pude deixar de destacar este Abutres, tanto pelo impacto causado, quanto por suas qualidades cinematográficas no que se refere a estética e conteúdo.

:: Trailer ::

ALEXANDRIA  (Agora, 2009).

Direção: Alejandro Amenábar. Com Rachel Weisz, Max Minghella, Oscar Isaac e Rupert Evans

Épico com E maísculo!

A exemplo de Abutres, Alexandria é outro filme lançado em 2011 no Brasil (este direto em DVD) que saiu anteriormente fora do país, aspecto este recorrente por aqui quando o filme não se encaixa no perfil “comercial” das distribuidoras e exibidoras de cinema. Escrito e dirigido por Alejandre Amenábar (responsável por títulos do naipe de Mar Adentro e Os Outros, por exemplo) e baseado em eventos reais, Alexandria nos transporta a antiguidade, durante a dominação do Império Romano da cidade de Alexandria, localizado no Egito e narra a história da filósofa, pensadora e professora Hipátia (vivida de corpo e alma pela adorável Rachel Weisz, vencedora do Oscar por O Jardineiro Fiel) e sua relação para com os dilemas vividos neste momento, que são os constantes conflitos entre as diversas religiões seguidas no local, cristianismo, judaísmo e greco-romana, em especial esta primeira, que conforme cresce almeja cadaz vez mais poder, fomentando assim um período de extrema violência e ódio, culminando na destruição da famosa biblioteca de Alexandria. Para um épico, Alexandria apresenta substância e questionamentos dignos dos filmes dramáticos mais aprofundados politicamente, fazendo assim com que seja um dos épicos mais densos da história recente do cinema, sem esquecer os fatores estéticos que aprazem tanto os entusiastas do gênero, pois existem, mesmo que reduzidas, sequências de combate, além do visual do longa ser deslumbrante: figurinos, direção de arte, maquiagem e, principalmente, fotografia, são primorosos. Entratanto, como já frisado, o chamariz do longa realmente está no enredo, nas atuações e na moral da história, que além de apresentar uma personalidade histórica, até então desconhida de grande parte da humanidade, como uma pessoa visionária, libertadora e a frente do seu tempo, além de mulher, nos alerta para os conflitos e  problemas de nossa realidade. Um filme rico e bem feito, tanto em ideias, quanto em substância e alerta. Para mim, o melhor épico desde Coração Valente, só que muito mais cerebral do que este último.

Quer saber mais? Clique aqui e acesse minhas primeiras impressões sobre o filme.

:: Trailer ::

A ÁRVORE DA VIDA (The Tree of Life, 2011).

Direção: Terrence Malick. Com Brad Pitt, Jessica Chastain e Sean Penn.

Uma experiência incompartilhável que transcende o cinema!

Polêmico. Incompreendido por muitos. Lento. Não linear. Ousado. Confuso. Transcendental. Distinto. Belo. Prepotente. Ambicioso. Complexo. Enfadonho. São tantas as palavras que podem ajudar a definir o filme A Árvore da Vida, entretanto nenhuma destas (ou quaisquer outras que deseje proferir) soam suficientes para definir a verdadeira experiência cinematográfica que manifesta esta película, que como poucas extrai diferentes percepções de cada espectador, pois cada um que assistiu a A Árvore da Vida “definiu” de maneira diferenta o sentimento que este desperta, seja de forma positiva ou negativa, sendo esta talvez a única unanimidade do longa: quem o confere não consegue ser indiferente, ou seja, manifesta o desejo de opinar, mesmo que sua “interpretação” da obranão possa ser compreendida pelos demais. Pois é justamente este quesito que faz esta obra tão rica e mágica, pois cada um que a vê/percebe interpreta os diversos signos visuais jogados da tela a sua retina de maneira extremamente pessoal, que será compreendida através de sua história de vida, sua maturidade, seu corpo intelectual, sua bagagem cultural, seu credo, estilo de vida etc etc etc. Portanto, não cabe aqui definir como e o que seria a experiência de assistir ao filme A Árvore da Vida, muito menos definir do que se trata o mesmo. Simplesmente assista, pois, gostando ou não, “compreendendo” – sinceramente não creio nessa possibilidade, por que bem ou mal, todo mundo absorve e joga algo após conferir o filme –  ou não, o resultado final deste conjunto de signos visuais contemplativos, analíticos e subjetivos elaborados, recortados e montados pelo cineasta Terrence Mallick (Além da Linha Vermelha), juntamente a entrega do elenco encabeçado por Brad Pitt (Encontro Marcado), Jessica Chastain e Sean Penn (numa pequena, porém marcante participação), são, no meu ponto de vista, indefiníveis, apenas sentidos e, para isto, cada um deve se entregar ao filme e sentir por si mesmo a magia que você mesmo dará a esta obra prima.

:: Trailer ::

CONTRA O TEMPO  (Source Code, 2011).

Direção: Duncan Jones. Com Jake Gyllenhaal, Vera Farmiga, Michelle Monaghan e Jeffrey Wright.

Complexidade e entretenimento podem e devem andar juntos!

E o filho de David Bowie, Duncan Jones, acerta mais uma vez. Após entregar o intrigante e complexo Lunar – considerado por muitos 0 2001 contemporâneo – , eis que o jovem cineasta, em seu segundo trabalho como diretor, entrega uma obra ainda superior a sua já tão bem sucedida estreia, a ficção-científica com clima de suspense e com uma aura psico-filosófica extremamente elaborada intitulada por aqui como Contra o Tempo (a tradução do título original, Source Code, cairia melhor, pois a mesma significa Código Fonte ou Código Matriz). Um filme quase que perfeito, por que conjuga de forma sublime ação, mistério, suspense, empatia e carisma, com uma temática recheada de filosofia e trato humano, que traz ao espectador duas sensações distintas, mas que são atreladas de forma tão competente e elaborada que chegam ao mesmo tempo: o de diversão e o de reflexão. Não vale a pena descrever a trama, pois Contra o Tempo é o tipo de filme que merece ser visto sem o espectador ter quase que nenhuma ideia do que o mesmo se trata, basta saber que este é inteligente sem soar pedante, divertido sem recair na babaquice, conta com um bom elenco (Jake Gyllenhaal, de Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, Vera Farmiga, de Os Infiltrados, Michelle Monaghan, de Missão: Impossível III e Jeffrey Wright, de 007: Cassino Royale), mesmo que não tomado por grandes astros e apresenta uma história bacana e criativa, que envolve uma viagem temporal na mente humana, guardando assim um “quezinho” de A Origem, de Christopher Nolan, mesmo que em essência muita coisa a ver, a não ser estar com este em uma lista minha de melhores do ano, portanto, ficou mais do que claro que Contra o Tempo é (ou seria foi?) a melhor ficção-científica de 2011.

:: Trailer ::

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTES 1 e 2  (Harry Potter and the Deathly Hallows – Parts 1 and 2, 2010-2011).

Direção: David Yates. Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson e Ralph Fiennes.

Toda saga tem um fim!

Pra começo de conversa, meu registro a Harry Potter e as Relíquias da Morte leva em conta os dois filmes em um, pois é muito difícil avaliar conteúdo e estética de uma obra sem que ela tenha um início ou um fim e, como estruturalmente tanto a parte 1, de 2010, quanto a parte 2, do ano passado, realmente formam um único e preciso filme quando vistos de uma só vez. Embora prefira o clima tenso, frio e compassado da primeira parte, é lógico que a segunda guarda momentos de emoção que fãs e não fãs aguardam anciosamente desde o longínquo ano de 2001, quando foi lançado nos cinemas o primeiro filme da hoje concluída saga Harry Potter, A Pedra Filosofal. Não vou me aprofundar muito quanto aos filmes em si, pois ambas as partes já foram comentadas no blog na sessão Franquia, podendo ser acessadas aqui (caso queira ver a análise de toda a franquia Harry Potter, clicar aqui). Sendo assim, com erros e acertos, o universo de Harry Potter foi encerrado de forma grandiosa e marcante, galgando assim estes derradeiros capítulos um lugar entre os 10 melhores filmes conferidos por mim no ano de 2011.

:: Trailer Parte 1::

:: Trailer Parte 2 ::

O PRIMEIRO AMOR  (Flipped, 2010).

Direção: Rob Reiner. Com Madeline Carrol, Callan McAuliffe, Rebbeca De Mornay e Aidan Quinn.

Matinê de amor como antigamente.

O Primeiro Amor (Flipped) não causou estardalhaço. Na verdade quase não foi visto em 2010, quando lançado nos Estados Unidos e, por aqui, com seu lançamento ocorrido ano passado, a recepção não foi muito diferente. Talvez com potencial futuro para filme cut ou simplesmente tesourinho de locadora (bons tempos de locadora), O Primeiro Amor é, verdade seja dita, o filme mais contagiante do cineasta Rob Reiner (Louca Obsessão) desde o drama Questão de Honra, de 1992, e bebe muito da fonte de um de seus maiores êxitos como realizador, o cultuadíssimo pela minha geração e clássico dos anos 1980, Conta Comigo. Reiner consegui resgatar neste longa de 2010 elementos característicos da cinematografia e, por que não, da própria cultura dos anos 1980 – apesar do longa não se passar neste período -, construindo um filme com aquela cara de “bonitinho”, mas que ao conferí-lo o espectador percebe que este é muito mais do simplesmente “bonitinho”. Obviamente, por se tratar de um drama até certo ponto infantil, a carga dramática é bastante reduzida, entretanto O Primeiro Amor é tão bem realizado, tão saudisista, que sua simplicidade acaba por crescer no espectador, metamorfoseando o filme em algo genial. E é assim, de um emaranhado de clichês bem contados, de um elenco carismático e disposto, de uma história simples, porém tocante e de um comandante esperto e experiente, que sabe como ninguém contar histórias simplórias mas que escondem no fundo tons de romantismo, melancolia, vida e esperança como poucos, que O Primeiro Amor é construído e realizado. Um filme que talvez não seja, no futuro, reverenciado e cultuado em sua proposta, mas que neste já ido ano de 2011 me tocou como poucos fizeram, tornando-se então assim um destaque dentre os grandes filmes do ano.

:: Trailer ::

RANGO  (2011).

Direção: Gore Verbinski. Com as vozes de Johnny Depp, Isla Fisher, Abigail Breslin, Ray Winstone, Bill Nighy, Alfred Molina, Ned Beatty, Tymothy Olyphant e Harry Dean Stanton.

Inusitada homenagem aos faroestes consegue desbancar pretensos novos clássicos como a nova versão de Bravura Indômita.

Pela lógica é bastante óbvio o que escreverei, mas tenho que reforçar: Rango é a melhor animação de 2011 (sim, ainda não vi As Aventuras de Tintim). Gore Verbinski (trilogia Piratas do Caribe) convocou o parceiro Johnny Depp (Alice no País das Maravilhas) para esta gostosa aventura em animação, que não só homenageia um gênero com competência ímpar, como tem em sua estrutura características de agradar a qualquer tipo de público, desde o infantil através de suas figuras simpáticas, inusitadas, engraçadas e cheias de persoalidade, até o adulto, seja pelo contexto referencial, seja pelo equilíbrio entre comédia, aventura, açao e, por que não, contexto existencialista da obra. Visualmente deslumbrante e quase impecável narrativamente, Rango conta ainda com um afiado e talentoso elenco de vozes – com destaque para outro ás de Verbinski, Bill Nighy (Notas Sobre um Escândalo) e o versátil Ned Beatty (Superman – O Filme, O Assassino em Mim) e com uma trilha sonora marcante de um dos mais competentes maestros da atualidade, Hans Zimmer (que, a título de curiosidade, cuidou da também marcante trilha do filme A Origem, destacado por aqui entre os melhores do ano de 2010). Enfim, criança ou não, vale a pena conferir esta animação que, mesmo com essa “desvantagem” natural, conseguiu superar em qualidade (seja qual for) o tido como melhor faroeste recente, o último longa dos irmãos Ethan e Joel Coen, Bravura Indômita.

:: Trailer ::

SUPER 8  (2011).

Direção: J. J. Abrams. Com Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler, Noah Emmerich e Bruce Greenwood.

Um filme que equilibra saudosismo de infância com uma organicidade atual.

J. J. Abrams (co-criador da série fenômeno Lost e diretor dos filmes Missão: Impossível 3 e do remake de Star Trek) juntou-se ao midas do cinema moderno, Steven Spielberg (Contatos Imediatos do 3º Grau, Além da Eternidade, Guerra dos Mundos) e decidiu escrever e dirigir um filme de ficção-científica repleto de aventura, suspense, mistério e ação, protagonizado por crianças e repleto de lições de vida, tal como eram os filmes do gênero realizados na década de 1980, principalmente aqueles produzidos pela Amblin, empresa de Spielberg e, para ser breve e curto, ele conseguiu. Com um pé nos anos 1980 e outro nos dias de hoje, Super 8 é uma mistura de E.T. – O Extraterrestre (de Spielberg), Os Goonies (de Richard Donner) e do seriado Lost (isso mesmo), condensando elementos presentes nessas obras de forma a prestar homenagem, sem deixar de possuir características próprias. Simples, mas com uma mensagem de superação e rendenção bem conduzida, Super 8 é a prova viva de que ainda dá para praticar um cinema comercial que aposte no coração sem que para isso  se precise fazer concessões à tramas tolas ou previsíveis, visto que, apesar de sua simplicidade e aparentemente não novidade em sua trama, a forma com que um filme é feito pode mudar toda uma percepção sobre uma obra, logo, Abrams e Spielberg provam mais uma vez, como pupilo e mestre, que são exímios contadores das mesmas histórias, só que sempre as apresentando de algum ângulo novo e sempre interessante.

:: Trailer ::

THE SUNSET LIMITED  (2011).

Direção: Tommy Lee Jones. Com Samuel L. Jakcon e Tommy Lee Jones.

Se não há espaço para deliberações inteligentemente complexas nos cinemas, há na televisão!

Produzido para e exibido no o canal de TV a cabo HBO, The Sunset Limited é um filme tão bom que galgou uma posição dentre os 10 mais exibidos no cinema. Adaptado da obra do renomado escritor norte-americano Cormac McCarthy (Onde os Fracos Não Tem Vez, A Estrada) – pelo próprio – e dirigido pelo também ator Tommy Lee Jones (M.I.B. – Homens de Preto), este filme é um verdadeiro tratado psicológico, sociológico, antropológico e filosófico sobre o ser-humano e suas verdades multifacetadas, sua busca por resposta a seus por ques, as suas dúvidas, as suas angústias, as suas crenças etc. Co-estrelado por Samuel L. Jackson (Pulp Fiction – Tempos de Violência) – na verdade o filme interiro só conta com a presença dos dois atores, mostrando aí parte de sua ousadia -, The Sunset Limited não é um filme fácil, principalmente pelo seu ritmo lento – mas nunca desinteressante -, pela carga dramática com toques de trágico ser bem pesada, pela não linearidade dos discursos – quem disse que uma conversa na vida real segue um sentido ordenado? – e pelo fato de que, por quase 90 minutos, vemos apenas dois personagens dialogando num ambiente único, sendo este o apartamento de um dos protagonistas. Enfim, um filme brilhante que infelizmente ainda não se encontra disponível para compra ou locação no Brasil mas que, caso tenha acesso, não deve ser deixado de lado, pois é de uma inteligência e perspicácia pouco vista neste último ano, em relação a cinema.

:: Trailer ::

X-MEN – PRIMEIRA CLASSE (X-Men First Class, 2011).

Direção: Matthew Vaughn. Com James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Jennifer Lawrence, January Jones, Nicholas Hoult e Oliver Platt.

Um belo recomeço para a bem sucedida franquia de super-heróis!

Quem não gosta de ser surpreendido? Apesar de sempre ter levado fé neste prequel (pré-sequência) da franquia X-Men, isso nunca foi unanimidade entre os cinéfilos de plantão. Dirigido por Matthew Vaughn (Stardust – O Mistério da Estrela, Kick Ass – Quebrando Tudo) e contando com o retorno de Bryan Singer à cadeira de produtor (e diretor de X-Men e X-Men 2), X-Men: Primeira Classe é o melhor filme de super herói do ano e, por que não, o blockbuster de aventura mais bacana do ano (juntamente a Super 8 e Rango). Equilibrado no que tange à exploração dos efeitos-visuais (os poderes dos mutantes), cenas de ação, alívios cômicos e homenagens aos filmes anteriores, além de apresentar uma história redondinha e deveras criativa, que costura diversos momentos históricos passados na década de 1960 à mitologia dos homo-superior, X-Men: Primeira Classe sagra-se assim como o melhor filme da franquia ao lado do até então unânime X-Men 2, de 2003, e, além de garantir um refresco a esta até então combalida franquia, dá novo gás a sua produtora, a Twentieth Century Fox, que vinha de retombantes fracassos, além de despertar a vontade de conferir a continuação do horrível filme solo do Wolverine, se bem que, cá entre nós, o verdadeiro desejo é conferir uma sequência para Primeira Classe e torçer para que esta tenha um vilão tão bacana (e surpreendente) quanto o Sebastian Shaw vivido por Kevin Bacon (O Homem Sem Sombra) neste.

:: Trailer ::

:: Menção Honrosa ::

CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR (Captain America: The First Avenger, 2011).

Direção: Joe  Johnston. Com Chris Evans, Hugo Weaving, Hayley Altwell, Dominic Cooper e Tommy Lee Jones.

Taí um filme que, desde que começaram a pipocar notícias sobre, não punha fé alguma. Não havia curtido a escalação do diretor Joe Johnston (Mar de Fogo, O Lobismomem) e a escolha do ator Chris Evans (Quarteto Fantástico, Heróis) – achava o primeiro fraco e o segundo sem força para interpretar um ícone dessa monta no cinema -, nem mesmo os trailers de divulgação me empolgaram. Mas eis que, após dar uma chance ao acaso e conferir o filme, todas as minhas ideias pré-concebidas foram se dissipando cena após cena durante a projeção deste Capitão América: O Primeiro Vingador. Clima bacana, visual estupendo, boa dinâmica entre os vários – e põe vários aí – personagens, um vilão se não excelente, mas pelo menos “charmoso” (o Caveira Vermelha, interpretado pelo eterno agente Smith, da trilogia Matrix – e vilão-mor do cinema blockbuster contemporâneo, ao lado de Mark Strong (Sherlock Holmes) – , Hugo Weaving), enredo crescente e empolgante, além da direção competente de Johsnton e da grande atuação de Evans, que me fizeram queimar a língua (principalmente o segundo) e cumpriram muito mais do que o esperado. Portanto, mesmo achando bacanas os filmes Thor e O Incrível Hulk (este não tanto), Capitão América: O Primeiro Vingador encontra-se um nível acima, quase no ponto dos mais do que bons Homen de Ferro e Homem de Ferro 2 e, se a missão deste era a de aquecer o público para o vindouro filme Vingadores (longa que reunirá os persongens Capitão América, Homem de Ferro, Hulk e Thor num só filme), esta foi mais do que bem-sucedida!

:: Trailer ::

:: Links ::

Top 10 2009 (no blog queRESENHA)

Top 10 2010

Não pensei que voltaria a conferir Lost tão “cedo”. A série foi concluída há pouco mais de 1 ano e, mesmo tendo sua estrado nos Estados Unidos em 2004, só começei a vê-la no ano de 2006, ou seja, há pouco mais de 5 anos, um tempo relativamente curto para rever um produto com 121 episódios divididos em 6 temporadas. É claro que, como já entrega o título da postagem, só revisitei a primeira destas temporadas, contudo, a depender da empolgação gerada por essa nova viagem, não demorarei a escrever acerca das demais.

Criação coletiva dos produtores e roteiristas J. J. Abrams, Damon Lindelof e Jeffrey Lieber, além de apadrinhada por tipos como Carlton Cuse e Bryan Burk, Lost, para ou bem ou para o mal, foi um divisor de águas tanto no que se refere a produção de shows de entretenimento para TV quanto, isso mesmo, para cinema. Apresentando um raro equilíbrio em sua estrutura – principalmente se observarmos que a série não possui um protagonista apenas, mas sim mais de 10 nesta primeira temporada -, que mistura mistério, fundamentos existenciais e retratos de diferentes personalidades através do excelente hall de personagens, Lost conquista justamente pela competência em apresentar personas interessantes, com quem o expectador, desde o episódio piloto (duplo, por sinal), passa a pelo menos ter curiosidade em conhecer mais a respeito dos “náufragos”. Com o passar dos episódios, através da composição da mitologia da série, as dúvidas e questionamentos também tornara-se-ão mote primordial no que se refere ao possível interesse do espectador, contudo sem nunca deixar o lado humano de lado, visto que possivelmente sem todo esse cuidado e afinidade passado pelos diversos tipos que aparecem na tela, não há duvida de que mistério nenhum prenderia o telespectador no sofá, como muitas outras séries e filmes já provaram.

Sei que é raro, mas caso você nunca tenha assistido ou sequer ouvido falar da premissa do seriado, eis então a sinopse dessa primeira temporada, extraída da página da série na Wikipédia Brasil:

O vôo 815 da companhia aérea Oceanic Airlines, cai na costa do que aparenta ser uma ilha tropical deserta, forçando o grupo de estranhos a trabalhar em conjunto para se manterem vivos. No entanto, a sua sobrevivência é ameaçada por vários mistérios, incluindo uma escotilha metálica enterrada no solo, uma criatura que vagueia pela selva e os habitantes da ilha conhecidos como “Os Outros”. Os sobreviventes descobrem que um dos seus não é quem parece ser e encontram uma mulher francesa chamada Danielle Rousseau, cuja equipe naufragou há 16 anos”.

Essa temporada de apresentação não nos mostra muito, visto que seu encerramento nos deixa mais dúvidas do que soluções. Entretanto, o faz de forma orgânica, sem soar vazio ou apelativo, nos passando a segurança de que as pontas soltas adquiridas no caminho serão amarradas no decorrer da série. Sendo assim, o que temos como destaque nesse ano inicial de Lost é o sentimento de descoberta, que o espectador passa tanto quanto os personagens que caíram na ilha. Estes, na verdade, funcionam como nossos alter-egos, nossos olhos para uma viagem até então despropositada e surreal. Contudo, como vamos observando no decorrer dos episódios, essa inóspita jornada vai fazendo sentido (ou não) cada vez mais quando são “descobertos” fenômenos e lugares neste lugar peculiar.

A primeira temporada é bastante equilibrada, sendo difícil lembrar e destacar algum episódio em especial, entretanto o piloto e o fechamento da temporada, com um episódio dividido em três partes, são com certeza alguns dos que mais rápido passam, de tão tensos e dinâmicos que são.

No topo do texto comentei o que quanto Lost influenciou a indústria do entretenimento. E isso é mais válido ainda para a realidade do consumidor brasileiro. É fato que, antes da exibição e, consequentemente, promoção de Lost no nosso país, a cultura de se acompanhar seriados não tinha um alcance tão largo como hoje, por exemplo, com pessoas de todas as idades, lugares e classes sociais acompanhando novos  produtos, seja através da exibição em Tv aberta, seja assinando Tv a cabo, seja comprando ou alugando DVDs ou, até mesmo, fazendo download dos episódios pela internet. E, se hoje o fomento e culto aos seriados é tão grande – analise o que era consumido e exibido, principalmente em Tv aberta, antes e depois do “fenômeno” Lost – esta série tem bastante responsabilidade.

Por fim, seja pelos mistérios, seja pelo clima, seja pelas referências a ciência, a filosofia ou ao próprio ser humano em s, Lost é um produto que começa focando o olhar do homem (Jack) e prossegue documentando os conflitos obtidos e criados pelos mesmos, num painel onde circulam problemas de convivência, afinidade, amizade, respeito, vingança, preconceito, superação, descoberta, dúvida, amor, loucura, felicidade, em suma, vida. Os mistérios existem, a ilha é uma personagem de suma importância para o contexto da série, mas são os tipos representados por Jack, Sawyer, Kate, Charlie, Claire, Locke, Michael, Walt, Sun, Jin, Boone, Shannon, Hurley e Sayid, além dos outros que por enquanto apenas preenchem o pano de fundo da série, que realmente nos interessa, já que são eles que representam, cada um com suas características, nossos anseios e sentimentos, refletindo assim nossas idiossincrasias através desse conjunto de tipos, seja através de um diálogo, de uma ação ou até mesmo de um pensamento – esta aí a construção dos personagens através dos flashbacks que nos posiciona na persona de cada um deles -, nos conquistando então pelo calor da essência do ser humano e não pelo aspecto racional, que é interessante e gera debates, mas que no final não é o mote nem da série nem na nossa própria personalidade.

:: Trailer ::

Sem Legendas

:: Documentários ::

Special:

(Sem Legendas)

Hearts and Minds

(Sem Legendas)

The Art of Matthew Fox

(Sem Legendas)

:: Links ::

– Sinopse: Wikipédia – BR 

Página no IMDb: Lost

Lost Brasil

Lostpédia

Debutou nesta última semana a mais nova aposta do produtor J.J. Abrams para televisão, a série Person of Interest. Criada por Jonathan Nolan (irmão do cineasta Christopher Nolan e co-responsável pelo roteiro dos filmes Amnésia e Batman – O Cavaleiro das Trevas), a série tem uma temática interessante, visto que lida com a delicada questão do atual excesso de espionagem e a falta de privacidade devido a superexposição através dos diversos aparatos tecnológicos disponíveis hoje, principalmente pós-11 de setembro de 2001, como deixa claro a série. Ou seja, o mote de Person of Interest é o seguinte: como inverter esse paradigma de forma positiva, utilizando estes registros com o intuito do “bem comum”. Sendo assim, é “crível” a trama que envolve um misterioso e rico inventor (Michael Emerson, o Ben Linus de Lost), que utiliza um instrumento secreto que “calcula” quais pessoas podem vir a cometer crimes, através de um sistema que virá a ser apresentado no decorrer do capítulo. Este homem “convoca” um também misterioso e absurdamente talentoso – seja com armas, seja em luta corporal – ex-agente CIA (Jim Caviezel, o Jesus Cristo do filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson), para investigar se realmente a pessoa apontada pelo sistema estará ou não envolvida no crime, visto que a única informação que este divulga é o número do seguro social (CPF, por aqui).

Como citado acima, a premissa parece bastante interessante, visto que mistura tópicos de nossa realidade atual – a insegurança e a desconfiança quanto à falta de privacidade e os avanços tecnológicos no âmbito da espionagem são alvos contínuos de discussão em todo o mundo – com um quê de Minority Report, de Phillip K. Dick, no que se refere ao lançe de identificar o potencial criminoso, é acertada e coerente, na medida do possível para uma obra que em essência quer entreter. Contudo, a julgar por este primeiro episódio, a concepção parece ter se saído melhor do que a realização, visto que este piloto não empolga como deveria, principalmente nos seus primeiros 20 minutos, que são bem lentos e pouco envolventes. Person of Interest só começa a mostrar elementos que geram interesse lá pelo final do segundo ato, justamente quando fornece os detalhes, digamos assim, mais técnicos da engenhoca.

Sendo assim, de certa forma este piloto foi decepcionante, pois o que esperava era algo que fosse de tirar o fôlego e não que gerasse dúvidas quanto a prosseguir acompanhando o seriado ou não. Devido ao bom currículo dos envolvidos nele, que além de Nolan, Abrams, Caviezel e Emerson, conta com o produtor Bryan Burk (também ex-Lost) e com a atriz Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button). Talvez tenha havido falta de personalidade no comando do diretor do episódio, David Semel (que já dirigiu episódios das séries House e Heroes, por exemplo) ou mais dinâmica na edição, contudo darei mais uma chance a série para que a mesma possa me mostrar a que veio, já que potencial é o que não parece faltar na mesma.

Person of Interest é exibida às quintas-feiras nos Estados Unidos no canal CBS e tem previsão de estréia no Brasil para o dia 18 de outubro, no Warner Channel.

:: Trailer da 1ª Temporada :: 

Legendado

:: Links ::

Site Oficial: Person of Interest 

Página da série no IMDb 

Fichas do IMDb:

* Jonathan Nolan (criador e produtor-executivo)

* J. J. Abrams (produtor-executivo)

* David Semel (diretor do episódio piloto)

* Jim Caviezel

* Michael Emerson

* Taraji P. Henson