Arquivo da categoria ‘Quadrinhos’

Compilação de histórias que revisitam a origem de alguns dos mais clássicos personagens do universo Marvel Comics, Mitos Marvel é, de certa forma, um fechamento digno para os demais encadernados de luxo lançados pela Panini Comics sob o selo Marvel Knights. Na verdade, tecnicamente este não tem nada a ver com o outro – até mesmo por que muitos personagens se repetem, à exemplo de Capitão América e Homem-Aranha, por exemplo -, contudo, como ambas as obras possuem acabamento similar, vale a pena incluir Mitos Marvel ao lado das demais publicações Namor: As Profundezas, Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… e Capitão América: A Escolha.

Não vou ficar aqui discrimando a qualidade de cada uma das seis histórias publicadas neste encadernado, visto que, apesar de algumas se mostrarem superiores  outras, o equilíbrio é mantido pelo roteirista Paul Jenkins (Origem) e pelo ilustrador Paolo Rivera. Portanto, para quem curte X-Men, Quarteto Fantástico, Motoqueiro Fantasma, Capitão América, Hulk e Homem-Aranha ou tem curiosidade em conhecê-los, esta aí uma ótima oportunidade, pois cada equipe/personagem tem sua origem revisitada de forma simples e atualizada em pouco mais de 20 páginas (por história), portanto de forma resumida e objetiva. Enfim, Mitos Marvel é um projeto pouco original (quantas vezes a Marvel não publicou produtos similares?), mas que por conta da qualidade da equipe criativa e do acabamento de luxo, acaba se destacando dentre outros materiais disponíveis no mercado.

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Abaixo, uma galeria com as capas originais das edições originais publicadas nos Estados Unidos:

:: Mythos X-Men ::

:: Mythos Hulk ::

:: Mythos Captain America ::

:: Mythos Fantastic Four ::

:: Mythos Ghost Rider ::

:: Mythos Spider-Man ::

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Já publiquei comentários sobre os seguintes títulos da linha de especiais Marvel Knights, lançadas no Brasil pela Panini Books/Panini Comics:

Capitão América: A Escolha

Homem-Aranha: Com Grandes Poderes…

Namor: As Profundezas

Mitos Marvel foi lançado no Brasil pela editora Panini, numa caprichada edição em capa dura que reúne seis edições especiais que reabordam origens de vários personagens do universo Marvel.

 

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:: Sinopse ::

Sob a sombra do 11 de Setembro, o prefeito e super-herói Mitchell Hundred realiza um casamento entre um bombeiro e seu velho namorado, um ativista gay republicano. Mas as atribulações de sua vida vão muito além: há terríveis assassinatos sendo cometidos no subsolo de Nova York.

:: Impressões ::

Passado o estranhamento natural das primeiras edições – não há mais a necessidade de se habituar ao cenário novo, nem a personalidade dos personagens principais -, Ex Machina ganha contornos de ironia e suspense neste segundo arco, intitulado Símbolo. Continuando a marca das edições anteriores, a HQ intercala lembranças de Mitchell Hundred enquanto atuava como A Grande Máquina com seu conturbado início como principal gestor da cidade de Nova York, destacando os momentos de menos destaque operacional do então prefeito, que tem que equilibrar a caça a um homicida que marca presença nos túneis de metrô da cidade com a polêmica decisão de Hundred em oficializar um casamento gay sob o auspício de sua gestão.

Com uma trama mais “leve” como esta, Brian K. Vaughan consegue imprimir um tom mais irônico aos diálogos, visto que, como frisado acima, a necessidade de apresentação do núcleo principal de personagens já não se mostra necessária – tanto isto é verdade que dois personagens que ganharam um destaque considerável em “Estado de Emergência“, Kremlin, antigo fornecedor de equipamentos de Hundred quando este atuava como super-herói  e Bradburry, seu atual guarda-costas, praticamente não dão as caras – o primeiro não aparece em momento algum do arco Símbolo. Além disso, apesar da tensão provocada pela série de assassinatos, o enredo parece correr mais rápido do que o arco anterior, ganhando destaque informações importantes acerca de alguns elementos que deram poder a Mitchell Hundred.

Enfim, Ex Machina – Símbolo mantém, na medida do possível, a mesma dinâmica apresentada no encadernado anterior, só que focando em elementos ainda não discutidos, portanto, faz a ponte evolutiva natural de uma obra. Os diáologos continuam diretos e cheios de referências – devidamente explicadas no glossário disponível ao final da graphic novel – e o traço de Tony Harris mantém a classe de sempre, sedimentando ainda mais sua importância para as páginas de Ex Machina ganharem vida para o leitor. E a história continua…

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Ex Machina – Símbolo é um relançamento da Panini Comics no formato encadernado, reunindo as edições 6 à 10 da série norte-americana, num total de 148 páginas.

:: Links ::

Review do encadernado anterior, Ex Machina – Estado de Violência

Sinopse de Símbolo: Universo HQ

:: Sinopse ::

Superman já foi chamado de muitas coisas desde que veio a público: de defensor da verdade e justiça a Maior Escoteiro do Mundo. Conseguiu tornar a si mesmo tão humano que quase todo mundo esqueceu que ele não é um de nós. Quase todo mundo. Apenas Lex Luthor se opõe ao Último Filho de Krypton para fazê-lo se dar conta do que verdadeiramente é: uma perigosa ameaça a toda a humanidade. O fim da missão eterna de Luthor para deixar Superman a seus pés nunca esteve tão próximo… Da aclamada dupla responsável por Coringa, o roteirista ganhador do Prêmio Eisner Brian Azzarello e o artista Lee Bermejo, surge uma história que perscruta o gênio maligno de Lex Luthor, o verdadeiro benfeitor e única esperança de Metrópolis.

:: Impressões ::

O escritor Brian Azzarello não é e nunca foi uma unanimidade para os leitores de histórias em quadrinhos, até por que, apesar de nos últimos dez ter escrito histórias de diversos personagens célebres – dentre eles Batman, Superman e, atualmente, a Mulher-Maravilha), o mesmo é mais conhecido (e reverenciado) pela criação do noir 100 Balas. E só. Seu arco de histórias do Superman – com desenhos de Jim Lee – foi mal recebido, enquanto Cidade Castigada, história encabeçada pelo Batman, dividiu opiniões quanto a sua qualidade, mas também nunca foi considerada uma obra “essencial”. Portanto, aos olhos da maioria dos leitores, Azzarello não é tudo aquilo que prometia.  Contudo, tal qual sua graphic-novel Coringa (que tem foco no principal vilão do Batman), esta Lex Luthor – Homem de Aço é um primor de história,  talvez um pequeno grande clássico moderno.

Lex Luthor – Homem de Aço nos apresenta a visão do personagem título – clássico algoz do filho de Krypton – , homem esse que odeia tudo aquilo que o Superman representa e, principalmente pelo fato do mesmo não ser humano (todo mundo sabe que o Superman é um alienígena, não é mesmo?). Questões como o poder de mudança de estado pelo próprio homem e a dependência do mesmo para com o Super são alguns dos questionamentos levantados pela minissérie, tudo muito bem argumentado pelos textos reflexivos de Azzarello e pela arte meticulosa de Lee Bermejo, que repete a parceria de Coringa com o escritor.

Muito bacana o desenvolvimento da história e, principalmente, a construção da motivação de Luthor, pontuada com pensamentos e ideias bastante pertinentes as características intelectuais do mesmo. O desfecho parece um tanto quanto apressado, entretanto o mesmo não tira o brilho da iniciativa e qualidade fulcral da obra, que é apresentar um brilhante paradigma humano, que teme o que não lhe é “normal” e o classifica como perigoso ou não digno de confiança. Uma obra corajosa e que consegue, mesmo que com fragilidades, nos fazer compreender o ponto de vista do vilão Lex Luthor, mesmo que não concordemos com ele ao final dessa história.

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Lex Luthor – Homem de Aço é um relançamento em forma de encadernado da Panini Comics  e reúne as 5 edições da minissérie original norte-americana, originalmente lançada em 2005, totalizando de 132 páginas.

:: Links ::

– Sinopse: Multiverso DC

Crítica do site Universo HQ 

Entrevista do site Omelete com Brian Azzarello

– Biografia de Brian AzzarelloWikipédia 

– Biografia de Lee BermejoWikipédia 

– Site da Panini Comics 

:: Sinopse ::

Mitchell Hundred era um engenheiro civil como tantos outros até que um evento muito estranho lhe conferiu poderes especiais e ele se tornou o primeiro super-herói do mundo.  No entanto, cansado de aventuras que não mudavam nada, Mitchell decide que é hora de fazer alguma coisa mais significativa pelo mundo – algo que jamais conseguiu sendo o herói conhecido com A Grande Máquina. Assim, decide concorrer à prefeitura de Nova York e consegue uma vitória esmagadora.

:: Impressões ::

Criação de Brian K. Vaughan, celebrado criador de obras como a graphic novel Os Leões de Bagá (belíssimo, por sinal) e a série Y – O Último Homem, além de ter roteirizado alguns episódios do fenômeno televisivo Lost, apoiada no traço de Tony Harris (Starman, Homem-Aranha: Com Grandes Poderes…), Ex Machina é uma história de conceito revisionista e atual, que abraça pelo menos dois cenários no mínimo interessantes, o “mundo” pós os atentados de 11 de setembro de 2001 e a possibilidade do primeiro e único super-herói da humanidade – o Grande Machina – vir a ser eleito prefeito da cidade de Nova York, após o mesmo evitar a destruição de uma das torres do World Trade Center e revelar sua identidade ao público. A partir desse mote, vamos acompanhando a rotina de Mitchell Hundred (o Ex Machina do título) como prefeito, tomando decisões delicadas e acompanhando a realidade e a complexidade de eventos advindo tanto da situação pós-atentado, quanto a do próprio cargo em si.

São levantadas dúvidas, receios e crises de consciência, inclusive com antigos amigos da época em que Hundred atuava como vigilante. Um aspecto interessante do enredo é que o mesma vai se desdobrando de forma não linear, entrecortando os primeiros meses de sua gestão à elementos do seu passado como herói, tornando assim a narrativa ágil e interessante, apostando nos subtextos complexos, enquanto apresenta uma história linear e objetiva,  na medida do possível, claro.

Ex Machina – Estado de Violência reúne as primeiras 5 edições da já concluída série, publicada originalmente pelo selo Wildstorm nos Estados Unidos. Com elementos de ação, crítica político-social e ficção-científica, esta série, apesar deixou uma excelente impressão ao final dessa primeira compilação, trazendo grande expectativa para as edições seguintes. É verdade que o que foi apresentado não foi mais do que uma apresentação a esse cenário, contudo o mesmo serviu como alicerce a proposta de Vaughan e Harris, deixando então à expectativa para o desenrolar do mandato de Mitchell Hundred nas páginas de Ex Machina, que abarcará todo o seu mandato como prefeito da Big Apple. A série não é um cabedal de complexidade ou inventividade, mas sim um painel criativo e interessante, que entretém enquanto pincela alguns temas que podem (ou não) gerar algum questionamento mais aprofundado. Que venham os próximos volumes.

Obs.: É válido destacar o glossário disponível ao final da história e que foi elaborado pela Panini Comics, visando auxiliar a compreensão do leitor devido a imensidão de referências contidas no texto de Brian K. Vaughan.

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Ex Machina – Estado de Violência é um relançamento da Panini Comics no formato encadernado, reunindo as 5 primeiras edição (um arco fechado) da série norte-americana, num total de 148 páginas.

:: Links ::

Sinopse: Universo HQ 

Biografia de Brian K. Vaughan: Wikipédia / Panini Comics

Biografia de Tony Harris: Wikipédia 

– Site da Panini Comics 

Até agora a melhor graphic-novel da série Marvel Knights, Namor: As Profundezas é uma grande história de mistério, que bebe bastante de autores clássicos do horror, como Edgar Alan Poe e H.P. Lovecraft, principalmente pelo clima passado através das linhas de Peter Milligan (X-Force) e da arte de Esad Ribic (Loki, Surfista Prateado: Réquiem). Claustofóbrica e cheia de mistério, o enredo dividido em cinco partes mostra-se interessante do começo ao fim, procurando envolver o leitor através das personalidades distintas dos diversos personagens apresentados durante a trama. Na verdade, o personagem título (Namor, ou Sub-Mariner na edição original) nada mais é do que um coadjuvante e, talvez por isso, o roteiro desenvolvido por Milligan funcione tão bem, pois passamos a acompanhar as “descobertas” e reviver as “lendas” sobre o ser atlante junto aos homens que participam da expedição marítima.

Carregado de um clima vitoriano e passado em meados do século XX (nunca fica claro o ano em que a história se passa), Namor: As Profundezas é quase que perfeito, mais pelo clima e ambiência da história, do que propriamente pela inovação criativa do enredo. Esta perfeição no que se propõe só não é devidamente alcançada devido ao fator técnico, que, infelizmente, é essencial numa novela gráfica: a instabilidade apresentada no traço de Ribic. Conferi os trabalhos Loki e Surfista Prateado: Réquiem, ilustrados por Ribic, e a qualidade dos mesmos são substancialmente mais uniformes do que a que o artista apresenta em As Profundezas. É claro que não é a todo momento que a arte do ilustrador “falha”, contudo em alguns momentos ela parece um tanto quanto apressada.

Exceptuando essa pequena falha, Namor: As Profundezas é, até então, o melhor, mais interessante, cativante, dinâmico e bem-executado produto da linha Marvel Knights, equilibrando perfeitamente a necessidade de apresentar o personagem título aos não iniciados, ao mesmo tempo em que não incomoda, de maneira alguma, o leitor já familiarizado com o mesmo, principalmente pela roupagem distinta apresentada do mesmo, que não o descaracteriza, pelo contrário, no meu ponto de vista, o torna tão ou até mesmo ainda mais interessante do que o mesmo é.

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Já publiquei comentários sobre os seguintes títulos da linha de especiais Marvel Knights, lançadas no Brasil pela Panini Books/Panini Comics:

Capitão América: A Escolha

Homem-Aranha: Com Grandes Poderes…

Namor: As Profundezas foi lançado no Brasil pela editora Panini, numa caprichada edição em capa dura que reúne as cinco partes da minissérie publicada originalmente, nos Estados Unidos, no ano de 2008. O preço cobrado pela obra é bastante justo, principalmente pela alta qualidade de sua formatação por aqui.

Mais uma história lançado sobre o selo Marvel Knights, Homem-Aranha: Com Grandes Poderes…, escrita por David Lapham (Batman – City of Crime)e ilustrada por Tony Harris (Ex-Machina), nada mais é do que mais uma revisita à origem do personagem. Dividida em cinco partes, a história tem como diferencial, em comparação ao enredo original de Stan Lee, o foco em um Peter Parker mais irresponsável, tanto pelo peso do descobrimento dos poderes de aranha, quanto pelas próprias características advindas do período de adolescencia, além, é claro, do impacto constante de bullying sofrido por Parker anteriormente ao acidente que o confere poderes sobrehumanos.

Sem um fechamento efetivo (sugerindo então uma possível continuação à série, que até então não foi confirmada – passaram-se 3 anos de sua publicação), Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… é um material interessante para os não iniciados na trajetória do personagem e que desejam um material independente para que possam adentrar no universo do mesmo. É claro que esta história não pertence a cronologia oficial do personagem, contudo não há grandes diferenças entre o enredo desta e a essência do personagem em suas histórias, digamos, oficiais.

Quanto aos leitores já iniciados, que acompanham, acompanharam ou possuem um bom conhecimento acerca do universo do Homem-Aranha, não recomendo à leitura desse produto, principalmente por que o mesmo não apresenta nenhuma novidade, no que se refere à uma nova leitura ou interpretação do personagem. Por sinal, a revisita da origem do personagem feita por Brian Michael Bendis (roteiro) e Mark Bagley (desenhos) na série Ultimate (universo alternativo dos personagens da Marvel Comics) é bem melhor, em todos os sentidos – talvez não no traço, mas isso não faz assim tanta diferença em termos narrativos – do que Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… .

Sendo assim, reforço que essa história é indicada principalmente aqueles que não tem grande conhecimento sobre o personagem, principalmente os que não conhecem a fundo a origem do personagem e seus primeiros anos em ação (ou seja, talvez aqueles que conheçam o personagem apenas pelos filmes ou desenhos animados).  Até agora, dentre as séries de encadernados sob o selo Marvel Knights que saíram no Brasil, Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… é a mais fraca, não pelo enredo/traço em si, mas sim por não ousar em sua abordagem, nem apresentar novidades à estrutura narrativa e/ou estética do personage. Portanto, apesar de estar longe da perfeição, a outra HQ conferida da série, Capitão América: A Escolha, é um produto mais interessante (mesmo não sendo realmente uma história do Capitão América como personagem principal) e portanto melhor do que Homem-Aranha: Com Grandes Poderes…

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Homem-Aranha: Com Grandes Poderes… foi lançado no Brasil pela editora Panini, numa caprichada edição em capa dura que reúne as cinco partes da minissérie publicada originalmente, nos Estados Unidos, no ano de 2008. O preço cobrado pela obra é bastante justo, principalmente pela alta qualidade de sua formatação por aqui.

 

Parte da iniciativa Marvel Knights, selo criado pela editora de quadrinhos norte-americana Marvel Comics visando contar histórias fechadas e, de certa forma, mais aprofundadas de diversos ícones de seu universo de super-heróis,  sempre contando com roteiristas e ilustradores de peso, Capitão América: A Escolha (Captain America: The Chosen) é uma história originalmente publicada em seis partes que tem como mote a fatídica morte do herói (o mesmo está com uma doença degenerativa) e sua busca por um “substituto” que literalmente carregue sua bandeira e, com isso, seu legado de honra, justiça, honestidade, coragem e esperança.

É claro que a história escrita pelo autor do romance First Blood (que inspirou o filme Rambo – Programado para Matar), David Morrel e belamente ilustrada por Mitch Breitweiser, traz mais do que isso em suas pouco mais de 130 páginas, contudo, como seria de esperar de um personagem tão complexo quanto o Capitão e do “passado” do autor (criou John Rambo. Preciso dizer algo a mais?) a história às vezes exagera no patriotismo barato, principalmente quando não consegue universalizar o tema (alguns grandes escritores conseguiram fazer isso quando escreveram histórias do personagem) e descarrega sem piedade o poder e o lugar do norte-americano como bússola da sociedade, da moral e da vida. É certo que esses são momentos pontuais, mas que não deixam de incomodar quando surgem.

Contudo, o aspecto mais negativo da trama (muito bem contada, por sinal) se dá logo na primeira parte da mesma, quando somos posicionados no conflito Iraque x EUA e nos é vendido (mérito não apenas desse quadrinho, que fique bem claro) todo o pensamento alienado do que, quem e como é um terrorista, não faltando é claro a figura do até então (a HQ começou a ser lançada no final de 2009 e foi concluída em 2010) inencontrável Osama Bin Laden.Em resumo, no conflito armado no Iraque, o exército da salvação e da justiça (EUA) se vê constantemente num ambiente de medo e frustração, contudo o mesmo não é dito do povo iraquiano que tem, por bem ou por mal, sua terra invadida, além de generalizar de forma muito rasteira quem é e quem não é terrorista.

Falando em medo, este sim é um conceito muito interessante abordado por Capitão América: A Escolha, já que o personagem título afirma diversas vezes ao seu suposto substituto (um soldado em serviço no Iraque) que foi  justamente este sentimento que o fez um homem melhor, já que foi através das sucessivas batalhas (mentais) para enfrentar seus medos que o mesmo cresceu, transformando escolhas carregadas de medo em atos de coragem e bravura, tendo assim Morrel um excelente ponto de vista a mostrar ao leitor sobre o quanto podemos alcançar quando sobrepujamos nossos medos.

Enfim, Capitão América: A Escolha tem momentos de altos e baixos, contudo com o andamento da história os primeiros se sobrepõem aos demais, ficando assim no cerne do leitor a certeza de que idependentemente de bandeira, credo, partido ou filosofia de vida, os sentimentos básicos como liberdade e esperança são universais e, através de uma reflexão discreta, Morrel e Breitweiser nos contam uma história batida, contudo sempre eficiente, de que apenas nós mesmos podemos nos tornar-mos homens e mulheres melhores, ou seja, seres-humanos plenos, em conceito, grau e gênero.

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Capitão América: A Escolha foi lançado no Brasil pela editora Panini, numa caprichada edição em capa dura que reúne as seis partes da minissérie publicada entre os meses de novembro de 2009 e fevereiro de 2010, nos Estados Unidos. O preço cobrado pela obra é bastante justo, principalmente pela alta qualidade de sua formatação por aqui. Recomendado para fãs de histórias em quadrinhos, colecionadores ou não.